sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

"A SAUDADE, ATÉ DE QUEM NUNCA VIAJOU"

Por ocasião do centenário da Cia. Mogyana de Estradas de Ferro, o jornal o Estado de São Paulo publicou, em 3 de dezembro de 1972, extensa reportagem sobre a ferrovia.

Poços de Caldas é citada em algumas passagens, e a mais interessante é reproduzida pelo Memória de Poços, abaixo. Acompanhe.

STATUS

Até a época em que os cassinos funcionavam com jogo aberto e as estradas de rodagem não eram pavimentadas, as pessoas de posse, do Rio e de São Paulo, consideravam como chique e demonstração de riqueza, passar temporadas anuais em Poços de Caldas. A Mojiana colocava nesse ramal o melhor de seu material rodante, e os trens faziam poucas paradas, a não ser as essenciais para os cruzamentos.

O problema que a Mojiana tinha que enfrentar era o dos agenciadores, que tomavam o trem em Águas da Prata e durante a subida da serra procuravam apregoar aos turistas as qualidades dos hotéis que representavam.

"Os maiores magnatas e playboy da época viajaram pelos trens de luxo e Poços de Cadas, cujos prefixos eram P5 e P6", diz um ferroviário. Artistas de renome, como Marta Egerl, e o próprio Getúlio Vargas foram passageiros dessa linha.

Poços de Caldas recebeu a denominação de "cidade das rosas" pela existência do jardim defronte da estação da Mojiana, idealizado e plantado por um telegrafista, descendente de alemães.

Manoel Carlos de Toledo, assessor de relações públicas da Fepasa, diz, com orgulho, que "muita gente de relevo passou pela Mojiana", recordando, de memória, "e com o perigo de cometer muitos lapsos e injustiças" o engenheiro, Odon de Figueiredo Ferraz -pai do prefeito de São Paulo- o pai do escritor Mário Palmerio, o reitor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, professor Benedito José Barreto Fonseca e Marcos Mélega.

Mais adiante, o jornal antevê um dos motivos que liquidariam boa parte das ferrovias brasileiras: a concorrência das rodovias.

"os ônibus, por enquanto, ainda oferecem seria concorrencia. Mas as estradas de ferro -no caso especial da Mojiana- ainda poderão enfrentar o transporte ferroviário de passageiros, "desde que haja retificação das linhas, o que diminuirá os tempos de percurso e a substituição de vagões por outros mais modernos".

Link para o Acervo do jornal:
https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19721203-29962-nac-0070-999-70-not

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

sábado, 20 de novembro de 2021

EDIFÍCIO BAUXITA: CONTROVÉRSIA DE DATAS

 

Desde sempre acredita-se que o mais famoso edifício de Poços de Caldas, o Bauxita, foi efetivamente inaugurado em 1946.

Em recente pesquisa, Memória de Poços de Caldas localizou uma reportagem sobre a cidade, publicada na revista Noite Ilustrada em 10 de julho de 1951, a qual destaca a conclusão das obras de construção do prédio a disponibilidade dos apartamentos para venda.

A integra está abaixo:

EDIFÍCIO “BAUXITA”

Marco de progresso e beleza da cidade de Poços Caldas, 123 apartamentos no maior e mais bolo arranha-céu do Estado de Minas — Soberba realização da Sociedade Construtora Bandeirante Ltda. e do Banco do Comércio S. A. — Estão à venda os magníficos apartamentos.

Reportagem de ENÉAS NAVARRO

LOCALIZADO em ponto central da cidade, à Praça Pedro Sanches, ao lado das Termas "Antonio Carlos", o edifício "Bauxita" eleva ao mais alto grau de progresso a estância de Poços de Caldas, emprestando-lhe um aspecto de grandiosidade, cuja construção obedeceu a um traçado de solidez e de linhas sóbrias e elegantes. De qualquer parte avista-se este colosso de 13 pavimentos, que marca de maneira insofismável o arrojo, o desassombro de seus realizadores, os quais não titubearam em erigir na mais bela estância, o mais alto edifício do Estado, com cerca de 123 apartamentos recentemente concluídos com o máximo de conforto e bem-estar. Estes apartamentos são partes com 1 quarto, sala, banheiro, kitchenet, vestíbulo e terraço; parte com 2 quartos, sala, kitchenet, banheiro e terraço. São servidos por 3 elevadores, dos quais 2 automáticos e 1 comandado por ascensorista. No alto do prédio existe belo terraço e grande depósito de água que garante o abastecimento permanente. No pavimento térreo está o deslumbrante cassino onde se passam horas agradáveis. No sub-solo existem várias salas para barbearia, institutos de beleza, administração, apartamento do zelador e outras salas e salões para renda ou venda.

Mais de 2 anos consumiu-se para a remoção das pedras, pois o edifício foi construído sobre rocha macissa e com estrutura de concreto armado calculada pelo famoso engenheiro João Birmam; estrutura considerada como das mais arrojadas em toda a América do Sul, dado os vãos existentes para permitir um cassino absolutamente livre dos inconvenientes pilares.

Coube ao conhecido e competente engenheiro Antonio Napole, a autoria do projeto que a renomada firma Sociedade Construtora Bandeirante Ltda., construiu incrível sacrifício atravessando, com estoicismo, dificuldades surgidas na época, como sejam, material, mão-de-obra, etc.

A história da construção deste importante arranha-céu, se contada desde o início, é bem uma prova da e da garra e da vontade inquebrantável do engenheiro Antonio Napole, que rompeu as piores dificuldades e lutou desbravadamente para manter um contrato feito anos atrás. Hoje, não é Antônio Napole que está de parabéns, mas sim a cidade que se acha engalanada com um soberbo condomínio ultra-moderno. Cabe aqui mencionar, com destaque, o nome de um homem altamente empreendedor e afeito às grandes realizações que visem o progresso e o desenvolvimento de uma cidade. Queremos nos referir ao Sr. Oswaldo Costa, um banqueiro mineiro que tem feito de seu inesgotável capital o crescimento de várias cidades e a felicidade do povo deste Estado de Minas Gerais. Podemos dizer sem receio de exagerar: Feliz da cidade para a qual Oswaldo Costa voltar as vistas!

Foi em maio de 1944 quando o Banco Nacional da Produção S.A., com sede em S. Paulo, lançou a incorporação do Edifício "Bauxita" para ser construído na cidade de Poços de Caldas, tendo para a realização do projeto contratado os valiosos serviços do Dr. Antonio Napole e confiado a construção à Sociedade Construtora Bandeirante Ltda., de S. Paulo, que tomou a referida obra por empreitada. Mais tarde o Banco Nacional da Produção S.A. era encampado pelo Banco do Comércio S. A. do Rio de Janeiro, tendo como diretor o grande financista e filantrópico Sr. Oswaldo Costa, o qual, reconhecendo os ingentes sacrifícios dos componentes da Soc. Bandeirante, veio socorrê-los e ampará-los deliberadamente, tornando assim possível a realização de tão grandiosa obra que hoje constitui um marco de progresso e beleza para a cidade de Poços de Caldas.

OS MAGNÍFICOS APARTAMENTOS ESTÃO A VENDA

O Banco do Comércio S. A. e a Sociedade Construtora Bandeirante Ltda., já iniciaram a venda em condomínio dos 123 majestosos apartamentos do edifício "Bauxita", localizado no coração de Poços de Caldas. O pagamento será facilitado, constando de uma pequena entrada e suaves prestações mensais, equivalente a um aluguel.

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

POÇOS DE CALDAS, 1826

Do acervo da Biblioteca Nacional, antigo mapa do que viria a ser Poços de Caldas, datado de 5 de março de 1826, 46 anos antes da data oficial de fundação da cidade, 6 de novembro de 1872.
Na imagem inferior está uma "tradução", para ajudar no entendimento dos detalhes.

Agradecimentos ao Rafael Henrique e Ana Cristina Palaço, pela ajuda!

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".







quinta-feira, 7 de maio de 2020

POÇOS DE CALDAS, 1927

Mapa da "Commissão Mineira do Centenário" mostra detalhadamente a situação da cidade à época.

Algumas curiosidades: a população indicada era 14.857 habitantes e a fantástica quantidade de riachos e ribeirões.

Note também a presença de duas ferrovias, destacadas em vermelho: para o sul a Cia. Mogyana, para o norte a "E. F. eléctrica em construcção".

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

terça-feira, 15 de outubro de 2019

OBRIGADO 240 MIL VEZES!

Reportagem da Delma Maiochi, a quem agradeço pela gentileza da pauta!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

PANORAMA

Bilhete postal triplo, circulado em 1913.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

CONDE PRATES: A DESTRUIÇÃO

Aconteceu hoje.
Relembre as publicações sobre o "Sobrado Conde Prates" clicando aquiaqui e aqui.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

segunda-feira, 18 de março de 2019

AEROPORTO

Cartão postal. Data desconhecida.

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

VILA CRUZ

Igreja de São Sebastião, na Vila Cruz. Data desconhecida, provavelmente década de 1940.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

sábado, 16 de março de 2019

PROGRESSO EXTRAORDINÁRIO



Assim escreveu o remetente deste cartão-postal, que mostra o "Jardim dos Macacos", nome pelo qual alguns ainda se referem à Praça Dom Pedro II, no centro de Poços de Caldas.

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".