sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

SECRETÁRIO POLLI, ALIADO DA PRESERVAÇÃO FERROVIÁRIA

O secretário interino de turismo de Poços de Caldas, José Carlos Polli, em entrevista ontem (16/2) ao Jornal do Meio Dia, da TVPlan, disse:
    
“Cadê o Rubens Caruso? Ele não vem aqui hoje? Queria tanto discutir com ele... Ele já me arrumou uns problemas sérios lá, na escolha da rainha e do rei Momo. Ainda bem que o Ministério Público entendeu que não haveria problema e liberou o local lá. A gente fez, a TV Plan transmitiu, foi um sucesso danado, né, não só a transmissão mas o tanto de gente que teve lá, a banda extraordinária, tudo transcorreu normalmente, não houve nenhum prejuízo para o patrimônio público, então eu acho que valeu a pena”. 
Nesse ponto, o apresentador Roberto Tereziano intercedeu: “O trem não saiu da linha”. 
Polli retoma a palavra: “Embora é o seguinte: o Caruso fica falando que a gente fica dando a volta, entrando com veículo lá, mas como é que eu vou entrar se “eles” fecharam o portão lá? O proprietário do posto, viu, Caruso, ele meteu um portão e meteu um cadeado lá. Acho que ele tá ferindo mais o patrimônio que nós que estávamos entrando pela plataforma. Se abrir, tirar o cadeado, abrir o portão, se os veículos necessitarem entrar –lá entrava o trem, um carrinho Uno não vai fazer tanto estrago; onde passava locomotiva, os trem, os vagão tudo carregado, então um Uno não vai fazer muita... né? É o Uno da secretaria que entra ali, a gente guarda lá atrás". 
Novamente, Tereziano interveio: “Ele mandou umas fotos de caminhão lá”. 
Polli respondeu: “o caminhão entrou lá porque o portão tá fechado. Se abrir o portão o caminhão entra por lá. E foi só pra descarregar o material e saiu imediatamente. Agora, não é local pra entrar caminhão".
   
Mais uma vez, algumas considerações sobre essa fala são importantes:
-estou totalmente disponível para qualquer discussão sobre o tema "Preservação do Patrimônio Ferroviário de Poços de Caldas". A Tv Plan não me convidou, por isso não estava lá;
-não foi o Ministério Público que "liberou" aquele evento, mas a Justiça Federal;
-os "problemas sérios" que eu "arrumei" são consequências das precárias condições do patrimônio, assunto em que venho trabalhando há tempos, de modo altruísta, e o próprio secretário, leitor assíduo do Memória de Poços de Caldas, já tomou providências com relação, por exemplo, ao "depósito" em que havia se transformado a Plataforma da Estação, recebendo meu elogio por isso. Confira aqui;
-este jornalista não "fica falando". Ao contrário, tudo é documentado com imagens: carros oficiais transitando e estacionados na Plataforma, culminando com um caminhão de asfalto da prefeitura, que lá não entrou para "descarregar o material e saiu imediatamente" -ao contrário, era um caminhão identificado como adesivos da prefeitura, e ficou lá tempo longo suficiente para que se fizesse uma inimaginável operação tapa-buracos no pátio da Estação;
-o "portão" citado pelo secretário não é do posto, mas está na própria Estação, na parede do armazém, tanto é que há acesso de veículos à área posterior do estabelecimento, na qual está um lavador de carros -sem portão. Logo, a "chave do problema", com perdão do trocadilho, está no bolso do secretário. Muito preocuparia se um particular tivesse o poder de fechar a passagem a uma propriedade do Povo, a Estação, ocupada por um órgão do Poder Executivo;
-o secretário incorre numa dúvida aparentemente comum, mas que não cabe a quem trabalha na Estação e lá está diariamente: plataforma é uma coisa, leito da ferrovia é outra. Na primeira circulam pessoas, na segunda trens -no caso de Poços, por ambas circulam pessoas, carros, caminhões, animais, cadeiras de plástico, trailer sem rodas (esse não exatamente "circula") e muitos objetos estranhos a uma "repartição pública", pior se pensarmos num patrimônio histórico tombado e protegido por lei.
   
Nesse caso, o melhor da fala do secretário foi a frase "Agora, não é local pra entrar caminhão". Muito obrigado, Secretário, por resumir em apenas sete palavras a minha luta pela preservação do patrimônio histórico e turístico chamado Mogyana, demonstrando consciência da questão. De fato, lá não é local para entrar caminhão. Nem carro.
 
Polli é mais um aliado de peso e do qual não se espera, igualmente, nada além do irrestrito apoio à causa, e desta vez é o representante da pasta de Turismo e Cultura, duas áreas muito importantes para o objetivo de Poços de Caldas voltar a ter não apenas um trem turístico, mas uma ligação ferroviária com o Brasil.
   
Bem vindo a bordo, Secretário Polli! Segue um vídeo com algumas imagens do que temos pela frente. Nosso desafio é duro!
video
Rubens Caruso Jr.
Áudio: Tv Plan
  
Atualizando: o mais novo aliado da preservação ferroviária já deu mostras de como atuará. Uma nota publicada no site da prefeitura, por ocasião da posse do Conselho Municipal de Turismo, do qual Polli é titular, traz: "A solenidade de posse reuniu os novos conselheiros, a equipe da secretaria e interessados no setor. A Camerata do Conservatório Musical Antônio Ferrucio Viviani abrilhantou o evento. 'Temos que utilizar o nosso patrimônio público e histórico com bom senso, promovendo eventos que não provoquem danos e mostrando o que temos de melhor', ressaltou o secretário José Carlos Polli, em referência à realização do evento no prédio histórico da antiga Estação Fepasa". Na foto abaixo, que ilustra a nota oficial, detalhe da cerimônia na Estação. Um exemplo.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".

6 comentários:

Rafael disse...

Estamos progredindo...

EFGoyaz disse...

Meus parabéns, secretário Polli. Gostei das suas palavras. Obrigado por abraçar a causa em favor da preservação da Estação de Poços de Caldas.
Unindo as forças assim, em breve a cidade voltará a ter a ligação ferroviária, e com ela, muitos projetos interessantes.

AnaCristina disse...

nem sei o que dizer
:-(

Anônimo disse...

Em relação a este senhor, sinceridade?

Acho que qualquer debate são palavras jogadas ao vento.

Marco Antonio Moreira disse...

Falta muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito ainda...infelizmente !

Denis W. Esteves disse...

Parabéns ao Secretário Polli. Uma adesão de peso à Preservação Ferroviária e da identidade cultural de Poços. As sábias palavras do Polli devem ser um alerta ao restante da administração municipal. Que fique claro que a plataforma não é lugar de caminhão passar, e que se deve usar o Patrimônio Histórico com senso, como tão bem definiu o grande Secretário Polli.
Devemos notar que o Secretário Polli se confundiu durante a entrevista no que diz respeito ao lugar por onde o trem passava. Tal erro é perdoável e se constitui em um triste exemplo de como até noções básicas sobre o transporte ferroviário estão se perdendo, a ponto de não se saber por onde passava o trem e onde ficavam as pessoas. É mais um indício de que é preciso que lutar com toda força para restituir o transporte ferroviário em Poços.

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