sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS CASSINOS DE POÇOS DE CALDAS

A história dos cassinos em Poços de Caldas tem início no século 19, quando a cidade era ainda uma pequena vila. Registros indicam que, por volta de 1890, os hotéis de então, já recebento turistas em busca dos tratamentos terapêuticos proporcionados pelos banhos de água sulfurosa, ofereciam aos hóspedes alguns jogos, como forma de lazer durante as estações de cura a que se submetiam, em geral longas.
  
Considerada por muitos a Las Vegas brasileira, o jogo tornou-se um grande negócio para a cidade, empregando muita mão-de-obra e atraindo jogadores de todo o País, resultando por exemplo na existência de voos regulares para a cidade, partindo das maiores capitais brasileiras (então São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) após a inauguração do aeroporto em 1938. Por suas características, Poços de Caldas, guardadas as proporções, estaria mais para Monte Carlo do que Las Vegas. Mas esse é um ponto de vista pessoal do autor.
  
Como em toda cidade que abriga casas de jogo, essas passam a movimentar a economia, de onde vinham salários e gorjetas, muitas vezes na forma das próprias fichas de jogo, que circulavam como moeda regular na cidade. Especialmente nos meses de férias, as temporadas de verão e inverno eram épocas de festa para o comércio local. Ainda hoje é assim, mesmo sem os cassinos.
   
Foram muitos os estabelecimentos dedicados ao jogo em Poços de Caldas. Nomes como Rádium, Éden, Bridge Club, Caldense, Cassino "Velho", Ideal Cassino, Nacional, Social Club, Salão Buji ou Ideal Cassino estão entre os mais lembrados, apesar da carência de fontes para pesquisas mais profundas. Talvez o arquivo morto da prefeitura disponha de alguma informação, mas esse é um trabalho de "arqueologia" complicado. Isso se o material não se perdeu numa operação-faxina ou mesmo por armazenamento inadequado.
       
Sobre alguns cassinos, tidos como os mais importantes, seja pelo tamanho, seja pelos shows ou artistas que receberam, é possível encontrar material fotográfico para relembrar os chamados "anos de ouro" de Poços de Caldas. Confira a seguir.
  
RECREIO DOS BANHISTAS
 A foto acima é muito rara e mostra, ao centro, uma parte do Recreio dos Banhistas, que começou a operar em 1905 pelas mãos de Teodoro do Vale, empresário do jogo na época. Antes de se tornar cassino, o prédio era a antiga casa do Coronel Agostinho Junqueira, localizada junto ao "Hotel da Empreza", e formou uma pioneira parceria entre o hotel e o cassino. O local onde se situava o Recreio é hoje o Parque José Affonso Junqueira. Consolidada a parceria e o sucesso do empreendimento, outros empresários adotaram a ideia, que tornou-se um grande negócio. O Recreio dos Banhistas, cassino que criou o conceito que trasformou a cidade, operou até o final da década de 1910, dando lugar ao já planejado parque, em configuração diferente da que conhecemos hoje.
 
POLYTHEAMA
O Cine Teatro Polythema abriu as portas em 1911, construído entre a Prefeitura e o Mercado Municipal, e marcou pelo luxo de suas instalações. Era prefeito à época Francisco Escobar, que entendia a importância de trazer para a cidade não apenas os turistas em busca dos banhos termais, mas que podiam e queriam apostar grandes somas e exigiam requinte. Os grandes eventos sociais de Poços de Caldas, incluindo algumas recepções e jantares de gala, aconteciam no Polytheama, construído como um teatro de ópera. Tal como o Recreio, o Polytheama uniu o cassino ao vizinho Grande Hotel, que contava com 110 quartos, 18 banheiros e chuveiros de águas sulfurosas. O conceito do hotel conjugado ao cassino é comum hoje em Las Vegas, de modo que o hóspede jogue no mesmo local e não se dirija a outros cassinos. Era conhecido como Cassino Caldense, que não deve ser confundido com o Clube Recreativo Caldense, que funcionou no Gibimba (veja a seguir). O Polytheama funcionou até 1946, quando o jogo foi proibido no Brasil. Demolido, o local abriga hoje um estacionamento.

CASINO "ANTIGO"
Abriu as portas em 1922 e foi demolido no final de 1930, ocasião em que estavam concluídas as obras do Palace Hotel. O Casino ficava onde hoje está a lateral do Palace Hotel paralela à Avenida Francisco Salles.
  
 GIBIMBA
O Cassino Gibimba era de Biagio Varallo. Ficava num prédio onde havia mesas de jogos, além de bar e restaurante. Sem ostentar luxo, era um cassino bastante popular, e permanecia aberto durante a noite, apresentando shows de músicos e artistas nacionais e internacionais. O Gibimba também funcionou até 1946. Hoje, no local, está uma galeria de lojas e uma agência do Banco do Brasil, defronte a Praça Pedro Sanches.
 
CASINO AO PONTO
O Ao Ponto é dos anos 1920, e tinha como proprietário Nico Duarte, que arrendou o cassino a Américo Bordignon. O cassino tinha foco em grandes shows, tendo contratado até mesmo o músico Ary Barroso, compositor de Aquarela do Brasil, para integrar a "jazz band" do Ao Ponto. O cassino existiu até 1944, quando foi destruído por um incêndio. Em 1946, no local, foi inaugurado o Edifício Bauxita, com 13 andares e 122 apartamentos e, segundo consta, uma estrutura inferior capaz de suportar ataques aéreos. No térreo do edifício está localizada a Câmara Municipal de Poços de Caldas.
 
CLUBE RECREATIVO CALDENSE
Inaugurado na década de 1930, funcionava no piso superior do Gibimba, oferecendo atrações como teatro, shows e, claro, jogos. Uma noite, parte do assoalho do cassino cedeu e, de acordo com o relato de Mário Mourão, "o salão repleto com uma assistência enorme afundou. Ainda por cima caiu todo o mobiliário, inclusive um piano, que poderia ter esmagado várias pessoas, tendo caído mais de 200, fora as que se machucaram em descida desabalada pela escada".
     
HOTEL QUISISANA
Construído na década de 1940 por Vivaldi Leite Ribeiro, antes arrendatário do Palace Hotel e que foi "despejado" por Getúlio Vargas, o Hotel Quisisana seguia também a receita que combinava hospedagem e jogo, contando com três andares e 250 quartos. O local mantém ainda hoje basicamente a estrutura da época. 
LÍDER CASSINO  
O Líder Cassino abriu as portas também na década de 1940, e era de uma família com tradição no ramo hoteleiro, os Kalil. No local funcionou até alguns anos o Cine São Luiz, hoje fechado e em situação deplorável, justamente num dos pontos mais movimentados da cidade, a Praça Pedro Sanches.
 
PALACE CASINO
"Cassino dos cassinos", o Palace foi concebido como parte de um conjunto composto ainda pelo Palace Hotel e a Thermas Antonio Carlos. As obras do Palace Casino foram iniciadas em 1928 e concluídas em 1930. O objetivo (alcançado) era tornar a Estância no mais completo e moderno balneário das Américas. Inaugurado em 1931, contava originalmente com um Salão Nobre, Salão Azul (para os jogos), um restaurante, o Palace Grill e outra sala de jogos menor, onde mais tarde ficou um auditório e um teatro. Tornou-se o cassino preferido da elite que vinha a Poços de Caldas, com seus enormes salões, lustres de cristal e e outros luxos. Artistas como Dalva de Oliveira ou Grande Otelo, entre muitos nomes, orquestras internacionais e políticos de elevado escalão eram presença constante. O traje obrigatório era a rigor. Em 1944, o Palace Casino pegou fogo. Foi recuperado, serviu durante muitos anos a todo tipo de festas, o que culminou na completa e vexaminosa deterioração do prédio. O Palace Casino encontra-se desde 2009 em restauração, incluindo a recuperação do teatro que havia no projeto original, escondido por décadas sob a Boate Azul.
 
CASSINO DA URCA
O Cassino da Urca foi construído em inacreditáveis quatro meses, até sua inaguração em 31 de dezembro de 1942. Frequentado por famílias abastadas, era palco para os mesmos artistas que se apresentavam na famosa Urca do Rio de Janeiro. Nomes como Carmem Miranda e o Bando da Lua, Almirante, Silvio Caldas e outros de prestígio internacional passaram por lá.
  
O Cassino fechou em 1946, também com a proibição dos jogos, tendo ficado ocioso até o final da década de 50. Em 1959, com a criação do Conservatório Musical da cidade, o espaço voltou a ser utilizado e, mais tarde, serviu à Faculdade Municipal de Filosofia, Ciências e Letras, em 1966. Trinta anos mais tarde, a Urca foi transformada em Espaço Cultural, condição atual, que inclui salões de exposição e um teatro.
  
CASSINO IMPERIAL

Também comandado por Vivaldi Leite Ribeiro, era dividido em Imperial Azul e o Imperial Vermelho, e contava com um cinema, o Cine Imperial. Demolido, o local abriga hoje uma agência bancária, em frente ao Edifício Bauxita.

Fontes: trabalho acadêmico publicado em 2007, que tem autoria de Ludmila Ribeiro Ramos, Maria Isabel Braga Souza, Talita Turatti e Diego Marcondes Mendes, e pode ser acessado clicando aqui -a leitura é recomendada; Memórias Históricas de Poços de Caldas, da saudosa D. Nilza Botelho Megale.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

COPA DO MUNDO

Às vésperas da copa do mundo de futebol, em 1958, Poços de Caldas recebeu a seleção brasileira. A concentração aqui rendeu material fotográfico riquíssimo, mas é sempre bom encontrar uma imagem "nova".
   
É o caso da foto acima, publicada na revista O Cruzeiro - Edição Especial, publicada em 30 de junho de 1962, que integra o acervo do Memória de Poços de Caldas. Antes de falar da conquista do bicampeonato, a revista trata do título de 1958 e faz referência à cidade.
  
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

AS ASAS DA PANAIR - II

Memória de Poços de Caldas recebeu importante relato do leitor Rubens Custódio, com referência ao material publicado em 11 de fevereiro de 2011, denominado "As Asas da Panair", que pode ser conferido aqui.
   
Acompanhe alguns trechos do material:
  
"Estou lhe enviando este email com o objetivo de colaborar com o seu excelente site e com a história da aviação brasileira. O fato é relativo à matéria publicada no jornal Brand News em 2005 e lida por mim no seu site Memória de Poços em 11 de fevereiro de 2011.
   
Wilson Danza não foi piloto da Panair do Brasil e muito menos foi o piloto que trouxe do Chile a Seleção Brasileira de Futebol de 1962. Ele e seu irmão Walter Danza eram funcionários da Panair em Poços de Caldas, no escritório da companhia aérea localizado na galeria do Palace Hotel. O fato é o seguinte -com textos dos jornalistas Glauber Gonçalves, de O Estado de São Paulo, e Sérgio Barbalho:
   
Quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O piloto Georg Bungner, hoje com 91 anos, orgulha-se de ter sido o comandante que trouxe de volta as seleções campeãs do mundo de 1958 e 1962. "Fui escolhido por João Havelange, que fora meu colega de natação - ele no Fluminense e eu no Flamengo", conta. Havelange era presidente da CBD, atual CBF. Bungner foi piloto da Panair do Brasil, uma das maiores empresas aéreas que o País já teve. "Eles (os jogadores) vieram alegres, mas não extrapolaram. Em 1958, o destaque era o Pelé, embora fosse o mais quieto", recorda.
   
As novas gerações desconhecem a Panair, uma das pioneiras do transporte aéreo no País. Muitos brasileiros ignoram essa época de ouro da aviação brasileira ou nem ouviram falar sobre o tema.
   
Seguem fotos do Comandante da Panair do Brasil Georg Bungner, da aeromoça Edmeé Bungner, sua esposa e aeromoça da Panair e dos vôos com a Seleção Brasileira Campeã e Bicampeã Mundial de Futebol-1958 e 1962, e do Avião Douglas DC-7C Seven Seas prefixo PP-PDM da Panair do Brasil.
 
 
 
Rubens ainda complementa: "Poços esteve sim nas asas da Panair em 1962, com o Capitão da Seleção Brasileira Bicampeã Mundial de Futebol", e encerra com o texto de Milton Neves, disponível aqui.
   
Memória de Poços de Caldas agradece os esclarecimentos prestados por Rubens Custódio.
   

sexta-feira, 22 de abril de 2011

SOM AMBIENTE NA RUA

"Em Poços de Caldas, cita-se o caso do prefeito nomeado Ronaldo Junqueira. No último ano de seu mandato, em 1974, ele tomou um empréstimo de 19,6 milhões de cruzeiros junto à Caixa Econômica Estadual -com catorze meses de carência- ou seja, para começar a ser pago por seu sucessor nomeado pelo governador.
   
Com tal quantia, a Prefeitura recapeou todas as ruas centrais da cidade -jogando o asfalto sobre as pedras-, adquiriu um equipamento de rádio FM, iniciou as obras de um estádio municipal, sem falar em outros projetos turísticos de duvidoso retorno. Com isso, Poços de Caldas, além de ter um asfalto que se quebra à medida que as pedras do calçamento vão cedendo, talvez seja hoje uma das únicas cidades do mundo a ostentar som ambiente em suas ruas. Mas não solucionou o seu problema habitacional -existem cerca de quarenta loteamentos mal dimensionados, sem condições de receber os benefícios públicos -nem seus problemas com água e esgoto. E já tem um terço de sua arrecadação comprometido até 1984 com os juros e amortização da dívida".
   
O trecho acima faz parte de uma longa reportagem publicada pela revista Veja na edição 439, de 1977, sob o título "Municipios - O tormento do dinheiro".
  
Impressionante como três décadas depois a reportagem parece contemporânea: "asfalto ruim" deveria ser objeto de tombamento como "patrimônio cultural" da cidade; o "equipamento de rádio FM" é o que deu origem à  rádio municipal Libertas, que precisa se libertar urgentemente de uma medíocre programação recém-adotada, cuja marca é a ausência de qualidade em nome da ampliação do alcance popular, em detrimento da função educativa e cultural que um veículo oficial deve carregar.
  
Quanto aos problemas habitacionais e de água e esgoto, os recentes cortes de abastecimento que Poços de Caldas enfrentou (vão se repetir em 2011?), incluindo a grave contaminação da represa Saturnino de Brito -sem uma explicação convincente um ano depois além de "excesso de flúor", a citação que um secretário estadual fez em Poços de Caldas sobre a qualidade "muito ruim" da água da região, somando o fato de que 75% dos esgotos da cidade são despejados nos mananciais sem qualquer tratamento, culminando com a fala oficial recorrente de que há pessoas esperando moradia em listas desde 1990 explicam o quanto não avançamos na questão.
   
O estádio municipal, mantido como "secundário", a exemplo de outras praças esportivas (seu estacionamento serve de depósito do entulho do monotrilho há anos -clique aqui e aqui para conferir), ostenta justamente o nome de Ronaldo Junqueira, que foi prefeito da cidade de 1971 a 1976 e de 1978 a 1983, entre outros cargos de destaque. De acordo com o site da prefeitura de Poços de Caldas, Ronaldo Junqueira ocupa atualmente o cargo de secretário-adjunto de Serviços Públicos.
  

quinta-feira, 21 de abril de 2011

POÇOS DE CALDAS, UMA PINTURA DE CIDADE


Nacib Nacklé chegou a Poços de Caldas na década de 1940. Em 1966, aos 47 anos, tinha uma exposição permanente no Palace Hotel. Pintor impressionista, foi premiado em São Paulo, Rio e Piracicaba, tendo conquistado inclusive premiação no Salão Paulista de Belas Artes.
   
Essas informações constam de uma reportagem publicada na revista 4 Rodas em 1966, bem como a foto acima, de Jorge Butsuem. Os leitores podem contribuir para enriquecer a história.
   
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

REPRESA SATURNINO DE BRITO


Cartão-postal fotográfico do acervo do Memória de Poços de Caldas mostra a Represa Saturnino de Brito em seus primórdios. Inaugurada em 1936, tem como função original a contenção de enchentes, sendo precursora dos atuais "piscinões". Hoje serve ao abastecimento de parte da população da cidade. Saiba mais sobre a represa clicando aqui.
   
A construção da foto, que esteve abandonada por anos -aliás, assunto recorrente em Poços de Caldas em se tratando de patrimônios histórico- foi recuperada e hoje abriga um restaurante de serviço popular.
   
Observe na foto, também, o maravilhoso Ford 1939 conversível.
   
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terça-feira, 19 de abril de 2011

THERMAS ANTONIO CARLOS

   
Cartão-postal fotográfico, da década de 1950. Observe, à esquerda da imagem, o São Paulo Hotel, ainda em funcionamento no mesmo local e, junto às árvores, o antigo "Posto de Gazolina". 
  
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

FÁBRICA DE SABONETES


Foto do acervo do IBGE, de autoria de Tibor Jablonsky, final da década de 1950. De acordo com uma informação disponível no Diário Oficial da União, de 5 de agosto de 1940, a Fábrica de Sabonetes Poços de Caldas Ltda. era estabelecida à Praça Pedro Sanches, 21. Outra informação interessante sobre a fábrica de sabonetes é esse Decreto:
Decreto nº 32.049, de 5 de Janeiro de 1953
 Declara que utilidade pública, para efeito de desapropriação pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, área de terreno necessário ao pátio da Estação de Caldas, daquela estrada.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 87, inciso I, da Constituição e nos têrmos do Decreto-lei número 3.365, de 21 de junho de 1941, modificado pelos Decretos-leis ns 4.152, de 6 de março de 1942 e 9.811 de 9 de setembro de 1946, DECRETA:
Art. 1º Fica declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, área de terreno com 1.659,87 m2 (mil seiscentos e cinquenta e nove metros e oitenta sete decímetros quadrados, representada nas plantas que com êste baixam, devidamente autenticadas, sendo 960,93 m2 (novecentos e sessenta metros e noventa e três decímetros quadrados) pertencentes a Francisco Gesualdi e 698,94 m2 (seiscentos e noventa e oito metros e noventa e quatro decímetros quadrados) de propriedade da Fábrica de Sabonetes Poços de Caldas Limitadas, área essa necessária aos serviços da estação de Poços de Caldas daquela ferrovia.
Art. 2º Êsse Decreto entrará em vigor a partir data de sua publicação, revogadas as disposições em contrario.
Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 1953; 132º da Independência e 65º da República.
GETÚLIO VARGAS
Alvaro de Souza Lima
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domingo, 17 de abril de 2011

LANCASTER HOTEL

 
"A cortesia que você queria", é o que se lê no verso do cartão-postal acima, do acervo do Memória de Poços de Caldas, de meados da década de 1970. Observe a deserta Rua Junqueiras e a loja de fotos, em cuja parede se lê "Revelações de slides, colorido e branco e preto", além de "emprestamos máquinas".
  
O prédio do hotel encontra-se locado à prefeitura, ocupado pela secretaria de saúde.
  
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sábado, 16 de abril de 2011

POSTO DE METEOROLOGIA


A foto acima mostra a antiga estação do Serviço de Meteorologia de Poços de Caldas. A ponte que aparece à direita é a que ainda hoje existe na Praça Dom Pedro II, também conhecida como Praça dos Macacos.
   
A respeito da imagem, comentou o amigo Alvaro Ely Monteiro Vilela, em abril de 2010: "Uma verdadeira preciosidade essa foto. Não sei até que ano funcionou aquele serviço, nem por que motivo acabou desativado. Mas lembro muito bem da funcionária encarregada das medições, Dona Margarida Vilela, que comparecia todos os dias para anotar as temperaturas máximas e mínimas, precipitação pluviométrica, coisas que seriam muito interessantes de serem conhecidas e divulgadas, pois temos um clima admirável. A construção à esquerda era mesmo o antigo balneário que, no meu entendimento, merecia ter sido restaurado por ocasião do centenário da cidade, e nunca demolido".
   
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

POÇOS DE CALDAS, 1966

Muitos são os prazeres proporcionados pela produção de um trabalho como o Memória de Poços de Caldas. Às vésperas de completar um ano, deparo diariamente com muitas oportunidades de materiais a serem compartilhados com você, leitor. Entre essas oportunidades, a diversão pura representada pelo garimpo de um material antigo, a pesquisa, a busca por uma foto histórica da cidade -melhor ainda quando inédita ou do conhecimento de poucos.
   
Memória de Poços de Caldas traz uma pequena série, de três postagens, reproduzindo uma longa reportagem sobre a cidade, publicada em fevereiro de 1966 na revista 4 Rodas, da editora Abril. 
   
A apresentação desse material passou pela pesquisa na internet, a localização de um exemplar em bom estado, culminando com o escaneamento dos textos em PDF, a revisão completa e a transcrição do que se perde na digitalização, além do tratamento das fotos.
   
Interessante notar o que mudou e, especialmente, o que não mudou: muitas virtudes de Poços de Caldas não se perderam, nesses 45 anos. Acompanhe.
   
POÇOS DE CALDAS E DOS AMORES.
Reportagem de Mylton Severiano da Silva
Fotos de Jorge Butsuem
Esta é a cidade escolhida pelos que amam, a Fonte dos Amôres é seu símbolo inesquecível.
Venha conhecer Poços de Caldas. Onde quer que  esteja, não é difícil chegar a esta cidade mineira que fica a 261 km de São Paulo, 480 do Rio e 501 de Belo Horizonte, em cima da serra de São Domingos, a 1.186 metros de altura, cercada de água por todos os lados sem ser ilha, tôda coberta de flôres porque é jardim. Poços não tem mendigos nas ruas, nelas só há lugar para os casais em lua de mel e os turistas, que nas temporadas são milhares, lotam todos os 76 hotéis e deixam a cidade com meia população a mais. Com tanta gente junta, Poços de Caldas satisfaz o gôsto de cada um. Há emoção para quem vem a passeio e tranqüilidade para quem quer descanso: galopar pelas montanhas, passear de lancha, beber vinhos, pescar, ou apenas flanar por entre as árvores, ouvindo o barulho das águas e o plac-plac ritmado dos cavalos. Os caminhos para a cidade das rosas saem de todos os lugares. De São Paulo, venha por Campinas (via Anhangüera, passando depois por Mojimirim, São João da Boa Vista e Águas da Prata), ou por Bragança e Pouso Alegre (rod. F. Dias). Neste caso, entrando por P. Alegre, você ainda pode encontrar um trecho (Ipuiúna) em fase de conclusão, pequeno porém. Não é o roteiro mais curto, mas é o mais bonito porque passa por três serras: a Cantareira, depois a Mantiqueira e o chamado planalto da Pedra Branca. Total de quilômetros de São Paulo a Poços pelas serras: 290. Quem está em Belo Horizonte também pode usar a Fernão Dias até Pouso Alegre, onde entra à direita. Total de quilômetros: 501. Do Rio há mais escolhas. Pode-se vir até São Paulo, é mais longe, claro: no mínimo 665 km. Mas o carioca também pode pegar a BR-459, entrando à direita no km 223 (Lorena) da via Dutra. Total: 480 km. E nesta última hipótese, ressalvamos de nôvo, em Ipuiúna talvez haja um pequeno trecho por concluir.
    
A estância pode orgulhar-se de não ter temporada muito fixa, porque em qualquer época do ano existe gente procurando-a para fazer um tratamento, descansar ou passar a lua de mel. Mas não deixam de ser bem distintos dois períodos: maio, mês de muito casamento; e dezembro-janeiro-fevereiro, que se costuma chamar de temporada. Então, os hotéis vão ficando lotados, Santiago abre o boliche às dez da manhã, o pintor Nacib Nacklé chega a vender uma dúzia de quadros, nas ruas os meninos engraxam sapato, guiam os turistas, tiram fotografias e são capazes de chegar ao fim do dia com 10 mil cruzeiros no bôlso. Á noite, os casais da cidade se juntam aos de fora na disputa dos bancos, na praça Pedro Sanches principalmente. Dois casais em cada banco, quem sobra fica dando voltas. Às onze e meia parece vir não se sabe de onde um toque de recolher que só eles ouvem e nas ruas que partem do jardim os pares formam filas, indo para casa ou para os hotéis. Quinze minutos depois a cidade está quase vazia. Ainda pode haver gente jogando boliche, ouvindo música no Caiçara ou divertindo-se no jantar-dançante do Floresta. A cidade vai recebendo cada vez mais gente e no Carnaval seus 45 mil habitantes passam a mais de 60 mil. Durante os quatro dias, os hotéis, que têm capacidade para receber até 20 mil pessoas, nem quarto alugam mais. Os hóspedes já estão acostumados e sabem que só encontrarão camas de campanha, ou simples colchões, que são postos nos corredores e salões. Quarta-feira de Cinzas, fim de festa, todo o mundo vai embora, a estância fica um período mais calma, mas logo começa tudo de nôvo. Poços não é só Poços. Fica no centro de quatro cidades menores, duas delas grandes produtoras de vinhos, Caldas e Andradas; as outras duas não menos famosas pelo poder de suas águas no tratamento de doenças várias: Águas da Prata e Pocinhos do Rio Verde.
   
Não deixe de ver - Poços mesmo, a Fonte dos Amôres, a cascata das Antas, o Cristo Redentor, a reprêsa do Bortolã; em Caldas, o quadro do chamado Rafael sueco, "Anunciação", na matriz; Termas Antônio Carlos.
Você deve ver - A fonte luminosa e os banhos sulfurosos do balneário Mário Mourão, uma apresentação do conjunto de câmara e coral do Conservatório Musical, o Véu das Noivas, a Pedra Balão, as fontes - Sinhazinha, Pedro Botelho. Macacos, Quisisana, etc; se fôr época, a exposição de orquídeas e plantas ornamentais (setembro); a festa folclórica do 13 de Maio.
Veja se puder - Um estabelecimento viticultor, em Poços, Andradas ou Caldas; a igreja de Santa Teresinha em Pocinhos; o Country Clube; a igreja do Rosário em cima do morro.
   
NESTE LUGAR A AMAR TUDO CONVIDA   
   
Quem visita Poços, vai à fonte dos Amôres. Ela é o símbolo da cidade escolhida pelos que amam e casal que passa a lua de mel aqui há sempre de abrir o álbum de recordações com uma fotografia tirada na fonte.
   
Diz a lenda que há muitos anos dois jovens enamorados faziam do recanto o refúgio de um amor proibido, que os pais não admitiam. Um dia, inconformados com o destino infeliz, os jovens se amaram e depois se jogaram pela encosta. Os corpos foram encontrados, um junto do outro, entre as pedras.
   
Em homenagem ao amor, ali está a escultura de Júlio Starace (1929), dois jovens que se enlaçam com ternura. Por trás a água despenca tranqüila, deslizando nas pedras. Alberto de Oliveira, o parnasiano inspirado, não resistiu à paz do lugar e recomendou: "Neste lugar a amar tudo convida, que amor é vida, amai! amai!" Os versos estão numa placa ao lado dos amantes de pedra.
   
As meias da cascata
O rio das Antas passa por baixo de uma ponte, na saída para São Paulo, serpenteia por umas pedras e vira à esquerda. depois vence uma barragem que o homem construiu para obter energia e vai despencar além, de 50 metros de altura, num chuá imenso, levantando uma nuvem constante de gotinhas dágua: é a cascata das Antas. Depois da queda, o rio se abre em dois e forma uma ilhota. com um bosque; no meio do bosque um restaurante que, a pedidos. serve frango e churrasco. O forte, porém, são as batidas sem fim que o Zoé, o dono, fabrica. De milho verde, balalaica, Cascata das Antas, mais as meias: é meia de sêda tradicional, meia de algodão, meia de helanca, meia disso, meia daquilo. Tudo feito com frutas, pêra, figo, outras com café, leite de côco.
   
Gente de São Paulo já ofereceu bom dinheiro pelas fórmulas, mas o Zoé recusou: segrêdo da casa, diz êle.
  
O Cristo fica no alto do maior morro da região e se vai por uma estradinha de 6 km, automóvel só passa com tempo sêco. Na chuva ainda conseguem passar jipes e kombis; se todos os cavalos de seu carro não conseguirem, o jeito é ir com um cavalo só, que se aluga ao lado do hotel Palace (preço a combinar, dizem êles, mas não é muito caro). Há também os que vão a pé, a caminhada é dura. A compensação é chegar ao cimo e pegar Poços inteirinha de surprêsa, sem tempo de esconder que já é cidade bem grandinha, com alguns prédios altos, bom estádio de futebol, muitos espaços verdes e um zumbido que vem das ruas: são os turistas, paulistas e cariocas principalmente, passeando de carro pra lá e pra cá.
  
Praia de mineiro
Atrás do Cristo, a vista inesperadamente é também linda: o planalto se perde nas lonjuras, verdolengo, montanhoso. À noite, de qualquer lugar se vê o Cristo iluminado, medalha de ouro recortada em fundo negro.
   
Construíram a reprêsa do Bortolã para obter energia. O resultado foi melhor: além de energia, um conjunto de clubes, com motonáutica, pescaria, esqui aquático e até uma praia. No clube de turismo Minas Gerais, formado com sócios-proprietários dos hotéis Parc e Abrep, pode-se passear de lancha pequena, 1.000 cruzeiros, ou lancha grande, 3.000.
   
A praia se chama do Sol e é racionada, não mais que 300 metros quadrados de areia, o que não chega a matar saudade de carioca.
   
Anunciação em Caldas
Na igreja matriz de Caldas, que fica a 28 km de Poços em bom asfalto, está o quadro "Anunciação", de Frederico Westin, que era chamado em seu tempo de Rafael sueco.
   
A história do quadro é fascinante. Veio parar no Brasil há mais de um século, trazido pelo cônsul sueco em Caldas, parente do pintor. Por muito tempo a obra ficou esquecida e um século depois, redescoberta, era atribuída, ora a Murillo, ora a Rembrandt. Mas houve quem dissesse que a tela não passava de "uma cópia servil feita por um dêsses artistas misérrimos do século dezoito". Edmundo Dantès Nascimento, professor do colégio Rio Branco, numa conferência em 1949, considerou elucidado o mistério, citando dezenas de provas:  o quadro é de Frederico Westin, pintor sueco nascido em 1782 e morto em 1862.
   
Contam que uma senhora paulista, há seis anos, ofereceu 10 milhões pela "Anunciação", o padre respondeu que dinheiro nenhum levava o quadro. Em 1847, no inventário do cônsul da Suécia, morto em 1846, a obra aparecia com valor de 150 mil réis. Ou seja, cêrca de uns 5 milhões de cruzeiros, numa época em que o pintor ainda era vivo.
   
Não é difícil chegar a todos êsses lugares, apesar da falta de melhores indicações em alguns casos, como setas e placas. Mas não há problemas: estando de carro, qualquer um informa tudo; indo de táxi, charrete ou cavalo, os acompanhantes ensinam. Há ainda o recurso de levar um menino de rua, dêsses que  pedem para ser guias. Para passear dentro da cidade, existe o trenzinho puxado a jipe que na temporada faz ponto na praça D. Pedro. Nasceu para levar crianças mas muita gente grande, com a desculpa de acompanhá-las, aproveita e dá suas voltinhas também.
   Para os passeios, charrete e trenzinho.   
As primeiras notícias sôbre as águas de Poços de Caldas datam de quase 200 anos. Segundo o escritor-médico Mário Mourão, em sua Síntese Histórico-Social da cidade, no ano de 1786 anotações do governador da capitania de Minas Gerais diziam que "a 12 léguas da Campanha apareceram aguas thermaes tão virtuosas e úteis, que tem curado entre varias moléstias a do grande mal de Lepra que tanto persegue êste continente Americano. Do mesmo lugar já havia uma ignorante notícia, e bem própria do povo pouco iluminado de que naquele mesmo Sítio andava o diabo por se ter visto aparecer por várias vêzes. Lanças de fogo tão fortes, e tão enxofradas, que haviam chegado a queimar os mattos de uma grande parte de sua circunferência, e com o terrível cheiro de enxofre, das quaes não se pode prazenteiramente tomar outro conhecimento mais do que a experiência das suas curas for mostrando".
   
O povo, apesar das chamas que via, era mesmo "pouco iluminado", porque não se tratava do diabo, mas de uma certa fonte que jorrava água a 46 graus centígrados, e cheia de enxofre de verdade.
   
Pedreiro bate engenheiro
Esta água, e as outras, ainda ficaram um século desconhecidas, com tôdas as virtudes medicinais que têm. Em 1881 uma companhia ganhou concorrência para construir dois balneários, com banhos gratuitos para os pobres e a mil réis para os outros. Um engenheiro austríaco, Maschek, foi contratado, mas demonstrou incompetência: não foi capaz de captar as águas das fontes. O empresário, Anselmo de Almeida, já ia desistir quando apareceu um pedreiro chamado Antônio Alves que tinha ajudado nas obras de Caldas de Vizela, Portugal. Seu Antônio botou o engenheiro no bolso, captando as águas de Pedro Botelho e dos Macacos.
   
Três anos antes de ser desterrado, D. Pedro II visitou Poços, com enorme comitiva, e a primeira coisa que recebeu foi um panfleto anônimo acusando a emprêsa exploradora de cobrar preços extorsivos e de adicionar misturas na água sulfurosa. Por causa disso, foi mandado a Poços um médico que, depois de examinar os balneários, desfez os ataques e concluiu pela superioridade das águas sobre muitas outras no mundo.
   Vem gente até de São Paulo, garrafão dentro do carro, buscar água mineral na fonte.   
O nome parece ter saído mesmo da comparação que os primeiros viajantes aqui chegados fizeram com as águas de Caldas, em Portugal: daí Poços de Caldas. As terras pertenceram primeiro aos Junqueiras, cujos descendentes sempre tiveram atuação política na cidade. Em 1884, era a freguesia de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, nome grande para um pequenino vilarejo, com algumas casas tôscas e uns poucos habitantes. Pedro Sanches, médico que veio para Poços em 1870 e viu a estância nascer, é considerado fundador da cidade.
   
A elevação a município, com o nome atual, saiu em 1888, primeiro de setembro. Um ano depois, veio a República e os mineiros de Poços deram a primeira aula de tato político: consta que a meia dúzia de republicanos da cidade, no mesmo dia já eram centenas, porque todo o mundo aderiu imediatamente ao nôvo regime.
   
Continua.
   
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POÇOS DE CALDAS, 1966 - PARTE 2

POLÍTICA É DOM QUE VEM DO BERÇO
   
Paixões, segundo Jurandir
A vida política interna, porém, não era tão fácil. Tinha briga entre políticos, a maioria dêstes chefes de famílias tradicionais. No romance histórico "O Céu entre Montanhas", de outro escritor de Poços, Jurandir Ferreira, onde a realidade se confunde com a ficção, uma reunião do conselho termina em duelo a cadeiradas e bengaladas, e tanta gente fica machucada que é preciso requisitar médicos nas cidades vizinhas para que os colegas pudessem ser socorridos.
   
No livro de Jurandir Ferreira, cuja história se passa em Nossa Senhora do Rosário das Águas do Rio Velho de Moçu, até os doentes brigavam, pois formavam multidão disputando um lugar nas nascentes vigiadas por guardas armados de cacetes, a fim de manter a ordem.
   
Em fins de 1909 apareceu um prefeito, Francisco Escobar, que transformou a cidade. Intelectual, pianista, sob sua influência as desavenças foram terminando e as facções políticas se entrelaçaram. Além de tudo, administrador: construiu o prédio da Prefeitura, pontes, o primeiro teatro, o primeiro hotel de luxo, arrumou as estradas da região e pavimentou as ruas com pedras britadas.
      
Com tantos turistas querendo gastar dinheiro, espanta a falta de mendigos nas ruas. Na cidade inteira, em todos os recantos, a gente vê as placas recomendando ao forasteiro que não dê esmolas, mas sim que faça uma visita ao SOS e verifique como se trabalha ali.
   Mendigo de fora tem que voltar para o lugar de onde veio. Os de casa são amparados.
Seu Pedro Vasconcelos o recebe na porta, mostra-lhe os mantimentos à espera dos pobres, os remédios doados, a sala de aulas, com o carinho de quem vive ali há 20 anos, desde a fundação do SOS - Serviço de Obras Sociais. Nesse tempo todo, êle já atendeu mais de 4 mil famílias; muitas delas recuperadas, hoje são colaboradoras do próprio SOS. As dificuldades sempre foram muitas, as contribuições vêm do comércio, que entra com 250 mil por mês, mais 120 mil da Prefeitura. O resto vem do povo, das festas beneficentes.
   
Quem é apanhado na rua pedindo esmola, ou mora em Poços ou veio de fora. Se fôr pobre da casa, o SOS faz uma ficha completa, a família passa a receber semanalmente gêneros, roupa, calçado, remédio; os doentes são encaminhados ao hospital, os sadios ao trabalho. As crianças são matriculadas na escola e devem freqüentar mesmo: cada uma tem o seu cartãozinho que apresenta assinado pela professora, provando que foi às aulas.
   
Pobre de fora, a polícia pega e leva ao SOS, onde seu Pedro alimenta, fornece mais o que fôr possível, depois dá um passe para voltar ao lugar de onde veio. Em Poços não pode ficar.
   
FOTO NA PRAÇA É MONOPÓLIO DE FAMÍLIA
  
Mário está há 30 anos na praça
Nas temporadas, Poços de Caldas trabalha dobrado para atender os turistas. Os cristais somem das prateleiras, os doces, os laticínios; nas ruas, meninos caçam os casais para servir de guia, engraxar sapatos, tirar fotografias; os cavalos e as charretes fazem dezenas de passeios por dia. Mário, o lambe-lambe mais antigo da praça, pode ser chamado em casa até, a qualquer hora de qualquer dia, para fotografar os fregueses conhecidos. Dos 50 anos de vida, passou 30 entre as flôres do jardim, tirando fotografia de duas gerações de turistas. Hoje a praça é dêle. As máquinas velhas de lambe-lambe são quase decorativas, amarradas a uma árvore e ao coreto. Para trabalhar mesmo êle usa modernas Yashikas e Rolleis. Do outro lado do jardim, o outro fotógrafo é seu irmão e sócio. A filial dos dois é Ditinho, sobrinho de Mário, fotografando aos 15 anos tão bem quanto o tio de 50.
A praça dos meninos
Para o pintor da cidade, Nacib Nacklé, temporada é a hora de largar os pincéis e tratar de ser comerciante um pouco. Pode vender até uma dúzia de quadros. Faz 26 anos que está em Poços, onde mantém exposição permanente no Palace. Estudou pela escola impressionista, em Piracicaba. Nos seus 47 anos guarda com orgulho os recortes de jornais anunciando os prêmios que ganhou, em São Paulo, Rio, Piracicaba também. O último não faz muito tempo, foi no Salão Paulista de Belas Artes.
   
Menino pobre, com a caixa de engraxate nas costas, não pode entrar na praça principal. Para não perturbar os turistas, dizem, com sua insistência em pedir: "Quer engraxar?".
   
Muitos dêles são pretinhos, quase todos se chamam Pelé. Vanil dos Santos, por exemplo, 13 anos, terceiro ano do grupo, sete irmãos em casa, todos trabalham. Engraxa, serve de guia e bate fotografias. Engraxando, consegue tirar 30 contos no fim do mês. Se a época é boa, serve de guia e os 30 contos podem sair num dia de sorte. "Engraxar agora não dá muito", diz êle. "Tem mais engraxate que sapato aqui, e os novatos ainda acham de cobrar mais barato."
   
Mauro não diz o sobrenome, só a idade: 11 anos. Faz tudo o que os outros fazem e tanta convivência com casais em lua de mel lhe deu uma idéia própria sôbre o casamento: "Casar não é bom, ser amigos é melhor. Casado a gente é um, amigado a gente é dois." E vai fazendo batucada enquanto engraxa o sapato do freguês.
Os meninos fotografam e puxam as charretinhas.
Qualidade dos meninos de Poços: a discrição. Não ouvir, não ver e não falar, em matéria de casais em lua de mel. Ética profissional.
   
Os cavalos da praça
Quem margear o rio ao lado direito do Palace, não anda dez metros é logo abordado pelos homens e meninos que alugam cavalos e charretes. Para gente grande, animais fortes e bonitos. Para as crianças, pôneis e charretinhas puxadas a carneiro. Os passeios ficam no mínimo em 1.500 cruzeiros, cada.
   
HÁ SETE SÉCULOS FERRO FAZ CRISTAL.
  
Seguso e Ferro têm tradição de 750 anos fabricando cristal de Murano. 
O que a natureza oferece, a cidade aproveita bem. Além do vinho, há laticínios, doces de frutas e, sobretudo, cristais belíssimos. A única fábrica em funcionamento é a Ca d'Oro na avenida João Pinheiro, 1707 (saída para São Paulo). São cristais tipo murano, fabricados por italianos de famílias tradicionais em Veneza, 750 anos trabalhando nisso.
   
Os mestres vidreiros são dois, Ferro e Toso, outro é Seguso, um dos escassos gravadores de cristal do Brasil. Seguso às vêzes passa três dias sentado à máquina, para gravar uma peça. Tem trabalhos expostos na Bélgica, no Canadá e nos Estados Unidos. Para êle, o cristal murano é côr e forma, é o cristal que evolui como evoluem as artes. Nas vitrinas, as peças vão de 30 a 40 mil cruzeiros por exemplar.

Para espantar os males
Nem sempre o negócio é passear, há os que procuram nas águas o que não encontram nos remédios, a cura para doenças reumáticas, da pele, alergias, distúrbios do aparelho digestivo. Poços é especialista nisso, seus institutos, como o Dr. Amarante e Dr. Mário Mourão, se encarregam de dar jeito nas doenças.
   
Os balneários são três, um dêles exclusivo dos hóspedes do Palace. Os outros dois são o Mário Mourão, na praça D. Pedro II, e as Termas Antônio Carlos, junto do Palace. No total, são 178 banheiras de porcelana, que permitem mais de 250 banhos por hora, de água sulfurosa sódica quente. Há ainda inalações sulfurosas, ginástica, ducha-massagem, submarina, ginecológica, intestinal, tudo isso sob assistência médica.
   
Alumínio a dólar
Foi o geólogo Orville Derby quem anotou a existência de rica jazida de bauxita na região. Agora fala-se que a Aluminium Company of America - ALCOA - vai construir uma empresa para produzir o alumínio a partir daquele minério, em Poços de Caldas. A indústria, já denominada Cia. Mineira de Alumínio - ALCOMINAS – investirá 51 milhões de dólares para produzir 25 mil t anuais dentro de 3 anos.
   
VINHO É BOM NO ROTEIRO DAS ÁGUAS

Antigamente os caminhos para Caldas e Andradas se mediam em léguas, 5 à primeira, 7 à segunda. Eram picadas, quando muito se podia ir em carro de boi, as crianças choravam que queriam ir também, no meio da viagem já estavam arrependidas. "Estou com dor de lança", reclamavam, sentindo-se enjoadas. Com tanto sacrifício a viagem só se fazia por muita necessidade, motivo de doença por exemplo. Caldas nascera primeiro e tinha mais recursos.
Nestes tonéis e garrafas está um dos melhores vinhos do país, que o velho Marcon não pode mais provar.
Hoje as estradas têm marco quilométrico, para Caldas 30 quilômetros bem asfaltados; para Andradas 41, de asfalto quase a metade, o resto é terra mas não apresenta problemas. A negócio lá agora é vinho, único assunto que as duas cidades mais velhas entendem mais que Poços.
   
Consta que em 1780 um português chamado Antônio Gomes de Freitas se instalou com sua mulher na região e logo percebeu a semelhança do clima e solo com os das zonas vitivinícolas européias. Plantou as primeiras parreiras e o lugar recebeu o nome de Campos de Caldas.
   
A plantação de uvas com intenção manifesta de fazer vinho deu-se em 1855, em Andradas. O coronel José Francisco de Oliveira plantou meio alqueire de bacelos de Isabela européia, que precisou queimar cinco anos depois, com um prejuízo enorme: quase três contos de réis. Após muito experimentar, chegou à conclusão de que três variedades se davam bem com o clima e o solo: Pirapetinga, Cunninghan e Virgínia. O coronel Oliveira é antepassado do engenheiro-agrônomo José Gabriel de Oliveira, atual chefe da Subestação de Enologia de Andradas.
   
Beber com ciência
Enologia é palavra grega: ciência que trata dos vinhos. A estação de Caldas e a subestação de Andradas, órgãos federais, dão assistência aos vitivinicultores, analisando a uva antes da colheita, indicando o caminho para obter qualidade, "provando" o vinho pronto e fiscalizando os produtos. Os vinhos dali são considerados entre os melhores do país.
   
A produção de Caldas, que engloba vários municípios vizinhos, inclusive Poços de Caldas, passa dos 2 milhões de litros anuais. Caldas entra com 75% do total, Poços 7,6%. Andradas produz mais: média de 6 milhões de litros anuais. As cantinas da região se especializaram também na fabricação da bagaceira, aguardente feita do bagaço de uva, fermentado e destilado.
   
O velho e as uvas
Guerino Marcon é o mais velho de três irmãos que nasceram e viveram em Andradas. O pai, Giovanni Marcon, imigrante italiano, por aqui chegou em 1896, quando Andradas era um mato só, casas de pau-a-pique, uma longe da outra. Começaram plantando café, alqueire e meio de terra. Depois foram aumentando, comprando um pedaço aqui, outro ali, em 1914 resolveram plantar uva e produzir vinho. É o que fazem até hoje, e bem: 10% da produção de Andradas vêm da Sociedade Vitivinícola Marcon. Guerino tem 70 anos, o orgulho de ter um sobrinho médico em São Paulo e o desgôsto de não poder mais provar o vinho que fabrica: sofre de diabetes, que lhe levou um dedo embora por causa de um ferimento de nada; o próprio sobrinho o operou nas Clínicas.

A cantina Piagentini é de parentes dos Marcons, produz vinho Rubronhol e aplica técnicas modernas. Acabam de comprar por 12.000 dólares uma máquina de envelhecer vinho, terceira no Brasil. Outros vinhos famosos de Andradas: Nau Sem Rumo, Isidro Gonçalves, Caves do Resteld, Campino. Na região de Caldas: Sociedade Caldas, Caneca, Velho Marcassa (Poços), Tambasco, Quinta Néctar.
    
Continua.
  
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POÇOS DE CALDAS, 1966 - PARTE 3

NOITE TEM DOIS PAULISTAS POR DENTRO
   
Santiago e seu amigo Ladislau, dois paulistas, um no boliche, outro no jantar-dançante do Floresta, comandam a arrancada noturna que pode terminar madrugadinha no Caiçara ou na boate do Palace.

O boliche Santiago, na rua São Paulo, abre à 6 da tarde fora de temporada, quando abre à 10 da manhã. Tem 6 pistas, serve lanches e refrigerantes, partida a 600 cruzeiros.
Boliche vai até o sol raiar. Mas à noite ainda há boates e jantar-dançante.
O jantar-dançante no Floresta é coisa nova, tem churrasco e pizza, ambiente quase de boate, decoração à base de bambu. Fica junto do hotel Floresta.
   
Depois de vender artigos regionais muitos anos, Wilson resolveu montar o que faltava em Poços: o Caiçara, casa de chá de dia, música boa de noite. Artista efetivo mesmo não há. Funciona na base da informalidade e muita bossa (nova). Um piano, uma bateria e um violão - João Viviani, que já tocou no Juão, em São Paulo, Toninho, garôto de 16 anos, e Laércio cantando, mas pode ser Moacir Franco, Carminha Mascarenhas e quem mais aparecer por lá. Especialidade da casa é sangue de vampiro, que de sangue só tem a côr.
   
Se a doença fôr tristeza, no Caiçara quem cai sara, assegura o Wilson, que conta a satisfação maior: uma noite parou na frente da casa um carro oficial, desceu um deputado mineiro seu conhecido, depois um homem baixo, atarracado, pescoço curto. "É êle", pensou, meio assustado de não estarem as coisas no exato para receber um presidente da República. O deputado o cumprimentou e apresentou o outro com um nome conhecido: Castelo Branco. E logo esclareceu: irmão do presidente.
   
A boate do Palace, aberta a todos, cobra pequena entrada e exige gravata a quem entra. Há música de orquestra, bebidas e dança. No Cassino joga-se carteado até altas horas.
   
Comer fora (do hotel).
Para o turista, comer fora significa comer fora do horário estabelecido no hotel, num lugar diferente. As perspectivas não são muitas. Há o Arruda, churrasco no espêto, 4 km da cidade pela estrada que vai a Andradas. Fica às margens da reprêsa Saturnino de Brito. Cêrca de CrS 4.000 por pessoa.
   
Outros restaurantes: Guaciara, na rua Junqueiras, ao redor de 4.000 também; mais os restaurantes Progresso e Castelões. Pizzas no Araújo, Ao Ponto e Floresta, razoáveis.

A 30 km de Poços, menos de meia hora sôbre asfalto, está Caldas - e, mais um pulinho de 4 km, tem-se a surprêsa de encontrar a estância que possui tantos hotéis quantas são as residências: Pocinhos do Rio Verde. Não é mais que uma rua, 500 metros de paralelepípedos, que quebra um pouco à esquerda, por cima de uma ponte, e acaba 100 metros depois numa porteira. Só. Meia dúzia de casas, e quatro hotéis.
   
COLITE NÃO AGUENTA SOSSÊGO DE POCINHOS
  
O alto da igrejinha
Um lugar tão sossegado que merece prêmio quem ali não sarar de corpo e espírito. A estância balneária de Pocinhos promete curar qualquer tipo de colite. E cura. Suas águas sulfurosas, bicarbonatadas, moderadamente quentes, podem até ser injetadas no organismo, segundo atestou o cientista Vital Brasil, que estêve em Pocinhos oito vêzes para estudá-la.
A capela de Pocinhos foi a môça Teresa quem construiu para agradecer uma cura milagrosa.
A igreja de Santa Teresinha fica no alto de um outeiro que se ergue, solitário, dominando a região: é o Alto da Igrejinha, na bôca do povo. Quem a construiu, há 30 anos, foi uma môça de Ribeirão Prêto, por nome Teresa. Pois Teresa percorreu tôda a Europa durante cinco anos, a fim de sarar, esteve na França, Suíça, e ninguém lhe deu jeito na colite.
   
Um dia lhe indicaram Pocinhos. Ela foi, instalou-se no hotel, fêz os exames e começou o tratamento. Todo dia, de manhã, a môça subia a pé o outeiro e ficava lá, meditando e falando com Santa Teresinha, a quem prometeu uma capela, bem no tôpo, se sarasse.
   
A igrejinha foi construída a muque, de gente e de burrinho, que é impossível subir-se de outro jeito. Nem o gado consegue e lá em cima a grama é sempre verde. A porta está aberta.
   
Prata não é da casa
Antes de chegar a Poços (32 km), vindo por Campinas, está Águas da Prata, perto do limite, mas ainda paulista. Sua fama não é pequena, a Água Prata, engarrafada lá, é conhecida no Brasil inteiro.
   
Tem várias fontes, entre elas a do Vilela, com água radiativa, boa para o sistema nervoso (banhos) e rins. A Prata é excelente para o fígado. Os hotéis principais são dois, São Paulo e Grande Hotel Prata, êste com boliche de quatro pistas, aberto também a quem não é hóspede.
   
HOTEL DE TODO PREÇO DÁ TETO A MEIA CIDADE
   
Uma das maiores concentrações hoteleiras do país está em Poços, e os preços são dos mais baratos em matéria de estâncias hidrominerais. O primeiro hotel surgiu no século passado, fundado por um mineiro rude, mas bom, que acabou barão. Chamava- se Hotel do Nhonhô, que êste era o nome do fundador, o barão do Campo Místico. Hotel de luxo mesmo só foi construído em 1911, no govêrno do prefeito Francisco Escobar. Era o Grande Hotel, perto da água Sinhazinha.
   
Quisisana nasceu com 100
Já que a preocupação inicial dos fundadores da estância era estabelecer logo um bom hotel, o resultado foi êste: cêrca de 100 hotéis e pensões na cidade, que, este ano, prometem levar aos cofres municipais 50 milhões de cruzeiros de taxa de turismo.
Há centenas de hotéis e pensões a escolher. O Floresta fica no meio do bosque.
Por longo tempo, o mais famoso foi o Quisisana, construído por Vivaldi Leite Ribeiro, em terras que pertenceram a José Piffer, o alemão que em 1911, construíra o Grande Hotel. Com todo o luxo possível, o Quisisana foi inaugurado em outubro de 1940 e, por mais de 20 anos, foi conhecido em todo o país. Em 1962, afinal, após a morte do fundador, foi vendido como condomínio de apartamentos.
  
Crack não mata palácio
A construção do Palace, imponente no meio da praça Pedro Sanches, começou em 1928 e, logo no ano seguinte, veio o crack do café. O país inteiro entrou em crise. Antônio Carlos era Governador de Minas e, apesar das dificuldades, conseguiu terminar os trabalhos em 1930. Na história também entra o mesmo Vivaldi Leite Ribeiro, do Quisisana, que arrendou o hotel e o cassino e contribuiu com capital seu para a conclusão das obras.
   
O Palace, que pertence à Hidrominas, recebeu mobília de primeira, tapêtes e passadeiras de veludo, louças finas, talheres de prata. O cassino entrou firme no jôgo, proibido mais tarde. Hoje, apenas se joga o carteado e, num dos salões, há máquinas americanas, tipo caça-níquel.
   
Os 1001 preços
Você se hospeda como quer, em Poços, pelo preço que lhe interessa. Há desde as pensões que alojam duas pessoas em quarto a 3.500 cruzeiros, com diária completa, até os apartamentos do Palace, diária completa a 30.000 por casal e 17.000 para solteiro. No meio dêsses extremos, alguns hotéis de primeira, dezenas de segunda, todos, em geral, com boa comida. O Palace tem, ainda, as termas para banhos e tratamentos e uma boate, que cobra entrada e exige traje a rigor. Temo e gravata também são exigidos no jantar. Reservas de fora, com entendimentos diretos por telefone.
   
O Minas Gerais também tem certo luxo. Cobra 23.000 para casal e 14.000 para solteiro, diária completa em apartamento. Em frente do Minas, rua Pernambuco, 615, está o Alvorada, cobrando 18.000 pata casal e 10.000 para solteiro, apartamento, sempre diária completa. Reservas também por telefone.
   
Reserva de fora
Simpático, o Floresta, meio fora do centro, no meio de umas árvores, ao lado do ex-Quisisana. Estêve fechado 3 anos, foi reaberto há um ano. Preços: casal 20.000, solteiro 15.000. Tem churrascaria-pizzaria dançante anexa. Aceita reservas de fora: São Paulo, na Agaxtur, Exprinter, Week End e Casa Faro; Rio, Avipan Turismo; Santos, Agaxtur Turismo.
  
Mais alguns hotéis: Presidente, 12.000 casal, 7.000 solteiro; Imperador, 14.000 e 7.000; Continental, 12.000 e 7.000; Excelsior, 11.000 e 5.500; Reis, 12.000 e 7.000; São Paulo, 10.000 e 5.000.
   
Em todos, não se esqueça, há sempre a taxa de turismo de 5%.
   
Em Águas da Prata, três hotéis principais. Eis os preços: Grande Hotel Prata, casal 18.000, solteiro 10.000, diária completa em apartamento; tem boliche também, com quatro pistas. Hotel São Paulo, casal 18.000, solteiro 10.000. Glória, casal 15.000, solteiro 10.000. Há ainda o Arpálice e outros menores
   
Pocinhos tem 3
Pocinhos tem apenas três hotéis, o maior dêles traz esta condição no nome: é o Grande Hotel de Pocinhos do Rio Verde. Há ainda o Rio Verde, o Pontes e uma pensão. Preços do Grande: casal, 14.000, solteiro 11.200. Fornece refeições avulsas (ótimas) a 2.000.
   
Carro também tem doutor
Quem viaja com o próprio carro pode precisar de oficina. Em Poços há vários revendedores e serviços autorizados. Ei-Ios: Simca, Sul-Mineira de Automóveis, rua Junqueiras, 240; Willys, Carvalho, av. Taubaté, 209, e Sodré Ribeiro, rua Pernambuco, 1.000; GM, Marinoni, rua Rio Grande do Sul, 766; FNM - Mercedes, Peter, rua Assis Figueiredo, 1370; DKW, agência DKW, rua Mal. Deodoro, 888; Volks, rua João Pinheiro, 1205.
   
Enquanto o carro fica pronto, você pode conseguir outro, num dos dois auto-drives da cidade. Um na rua Prefeito Chagas, outro na Assis. Há Volks e jipes, a 1.500 cruzeiros por hora, 50 para cada quilômetro de excesso (preços sujeitos a revisão êste mês).
   
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