sábado, 31 de julho de 2010

ESTABELECIMENTOS THERMAES


Vem do livro "Estudos de Crenologia - Aguas Mineraes Sulfurosas", editado em 1936 por Aristides de Mello e Souza essa série de imagens.

Diz o autor, na ortografia da época:

"O primeiro estabelecimento thermal de Poços de Caldas foi inaugurado em 8 de abril de 1886 pelo Dr. José de Carvalho Tolentino, que o mandou construir sobre alicerces que em 1883 fizera levantar o coronel Agostinho Junqueira, agindo ambos pela Empresa cujos interesses alternativamente geriram. Achava-se situado à margem esquerda do Ribeirão de Caldas, cerca de 20 metros abaixo do grupo hydro-mineral de Pedro Botelho".

A legenda original da foto acima conta: "O primeiro balneario construido em Poços de Caldas. - A entrada desse estabelecimento está indicada por uma seta".


"O segundo estabelecimento, o de Macacos, teve sua construcção iniciada em 1893 pelo Dr. José de Carvalho Tolentino, presidente da Empreza arrendataria dos banhos de Poços de Caldas. Deu-se sua inauguração em 1896".


"O terceiro estabelecimento foi posto a funccionar pela Cia. Melhoramentos em 1918, no local hoje ocupado pelo jardim ao lado do Palace Hotel, onde está o monumento de Pedro Sanches de Lemos". A legenda original da foto acima detalha: "Estabelecimento thermal construido pela Cia. Melhoramentos de Poços de Caldas, inaugurado em 10 de abril de 1918".


"Finalmente, as Thermas Antonio Carlos foram abertas ao publico em 16 de março de 1931 e officialmente inauguradas a 29 desse mesmo mez. Em seguida ao regular funcionamento das Thermas Antonio Carlos, foram demolidos o primeiro e o terceiro dos estabelecimentos mencionados segundo a ordem chronologica de sua construcção".


Encerrando, um interessante mapa com a disposição das fontes, bem como as distâncias em linha reta entre elas e as respectivas altitudes em que se encontram. Note que o Ribeirão de Caldas, traçado em azul, passa sob a Rua Paraná, atual Rua Assis Figueiredo.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

SE MEU FUSCA FALASSE


Foto publicada num site de carros antigos. Não cita o autor, mas foi enviada por Juliano D. Rosa, do incansável clube Fusca Poços, que congrega proprietários e admiradores dos VW antigos.

O cine São Luiz, ora desativado e fechado, recebeu, para a estreia do filme da Disney, por volta de 1969, um Herbie "de verdade".

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O JACARÉ DE POÇOS


Nos anos 1970, um apelido já era lenda quando o assunto era motos: o "Jacaré", na verdade Carlos Alberto Pavan. Nascido em 1952, Jacaré começou a se destacar sobre duas rodas ainda garoto, com 16 anos, fazendo "tomadas de tempo" no bairro em que morava, com motos de amigos. Sempre muito veloz, invariavelmente acabava destruindo as motos em acidentes. Logo compraria sua primeira moto, fruto do trabalho como mecânico, essa também liquidada em um acidente.

Aos 20 anos, Jacaré partiu para a carreira natural de piloto de corridas, obtendo sua primeira vitória já em 1973. No ano seguinte, conquista um honroso quinto lugar na famosa "Taça Centauro", atrás de pilotos importantes como Adú Celso, Tucano ou Denísio Casarini. Também ganhou a 500 Milhas de Interlagos, além do Campeonato Paulista, com quebra do recorde em Interlagos.

Todo o sucesso nas pistas não modificou o jeito moleque de Jacaré, que continuava "aprontando" nas ruas, com empinadas, curvas raspando as pedaleiras, rachas no trânsito, atitudes que custariam caro mais tarde. Com boas chances de se tornar campeão brasileiro, Jacaré sofre um grave acidente no Minhocão, em São Paulo, e fica fora da disputa.

Depois de longa e penosa recuperação, o piloto consegue uma moto emprestada para correr as 200 Milhas de 1975, mas duas semanas antes da prova sofre novo acidente e fratura a clavícula. Compete mesmo assim e ganha a prova na categoria Esporte.

Prometendo mudar após esse feito, Jacaré não se conteve e cometeu a derradeira maluquice, disputando um racha na madrugada de 23 de agosto de 1975, em plena Avenida Cidade Jardim, na capital paulista: com uma Honda 750, acabou batendo em um carro, encerrando a vida fazendo o que todo grande piloto gosta de fazer -pilotar. Infelizmente, de maneira irresponsável. Nascia então o mito. Nada menos que 2 mil motocicletas acompanharam o cortejo de Jacaré.

Para quem não sabe ou não lembra, Jacaré nasceu em Poços de Caldas.

Fonte: http://www.motoclassicas70.com.br/

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

MEMÓRIA DO TEATRO


A imagem acima foi enviada pelo Professor João Alexandre. Ele conta que atua na rede privada de ensino, na área de ciências humanas, e na área cultural ao lado da esposa Juliana, que é atriz de teatro. Ambos dirigem a Cia. Tema de Artes Cênicas (http://www.ciatema.com/). Entre outras atividades, o casal desenvolve, junto a outros artistas e militantes na arte, pesquisas sobre a história do teatro de Poços de Caldas.

Ele conta que "nos arquivos de minha esposa encontramos essa foto. Trata-se do primeiro grupo de teatro de Poços de Caldas, o grupo de teatro Alvorada Benigno Gaiga que surgiu nos anos 1960. A imagem é do ensaio do espetáculo Dona Xepa, de 1995.

O grupo nesta época era dirigido pela saudosa Nicionely de Carvalho (Nicinha), senhora ao centro, de blusa branca, rodeada pelos alunos, da esquerda para direita: Paulo Piolli (SBT), Diva, Edmar Alexandre (reside em Campinas), Elisangela Virga (Círculo de Arte), Da-Ré, Fabio de Freitas (Cia Bella) e Juliana de Almeida (Cia. Tema).

Foto histórica de Nicinha e seus pupilos. Bons tempos, anos dourados do teatro local".

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terça-feira, 20 de julho de 2010

D. NILZA


Morreu na manhã de ontem, 19 de julho, D. Nilza Megale.

D. Nilza foi historiadora, museóloga e folclorista. Paulistana, cresceu no Rio de Janeiro, formando-se mais tarde em Museologia pelo Curso Superior de Museus do Rio de Janeiro. Trabalhou no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro e no Museu Imperial de Petrópolis.

Veio para Poços de Caldas em 1948, onde formou-se em Filosofia. Lecionou História da Música, Estética, Folclore e História da Arte no Conservatório Musical; Educação Artística no Colégio Dom Bosco; Museologia, Folclore e História da Arte, no Curso Técnico de Turismo, no Colégio São Domingos. Aqui, publicou artigos sobre história e folclore nos jornais principais jornais e escreveum entre outros livros, o indispensável "Memórias Históricas de Poços de Caldas, de 2002". Aqui, fundou e dirigiu o Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas. Também fundou a Sociedade Amigos do Museu.

Tive a oportunidade de conversar com D. Nilza uma única vez, justamente na reinauguração do Museu, em março de 2009 -pessoa doce e muito atenciosa, ela aprece na foto descerrando a placa ao lado do prefeito Paulo César Silva.

Poços perde uma dama apaixonada pela cidade e, principalmente, por sua história. Uma pena.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

MECANOTHERAPIA


Jonas Gustav Wilhelm Zander (1835–1920) foi um médico sueco que criou um método de exercícios terapêuticos baseado em aparelhos especiais. Zander iniciou seus trabalhos nos anos 1860, fundando o Zander Institute, em Londres, onde publicou seus estudos sobre a mecanoterapia como meio de cura, antes de ir para Nova York. Sua expectativa era que, com seus equipamentos -cujo princípio era aumentar gradualmente a resistência muscular- pudesse substituir os ginásios (academias) da época, que excluíam mulheres, idosos ou pessoas fisicamente debilitadas.

O radialista Maurício Beraldo, que além de apresentar diariamente o programa Tarde Legal na rádio Difusora de Poços, é também rádio-amador (PY4MAB), enviou as imagens acima, feitas por ele no salão de "Mecanotherapia" da Thermas Antonio Carlos. Logo à entrada do salão, uma placa informa que a "sala de Mecanoterapia é constituída de 29 aparelhos da marca Zander, de fabricação alemã, datados de 1929. Todos os aparelhos estão em perfeito estado de manutenção e são utilizados na reabilitação de pacientes portadoers de seqüelas de patologias neurológicas, traumato-ortopédicas e reumáticas. Temos conhecimento de que existem aparelhos iguais a estes somente em mais duas cidades da Europa".

Sem falar da raridade de ver aparelhos clássicos bem preservados e em grande número, é importante ressaltar que a Mecanoterapia da Thermas desempenha importante função social, atendendo e contruibuindo na reabilitação de pacientes da saúde pública.


Acima, reprodução de uma gravura de 1894, que apresenta alguns dos "aparatos" de Zander.

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sábado, 17 de julho de 2010

ASES DO VOLANTE

Foto da coleção J. Ranauro. A legenda, na forma original, relata:

"CORRIDA DE BARATINHAS, COMO ERAM DENOMINADAS, REAZILOU-SE EM POÇOS DE CALDAS, NO DIA 17 DE MARÇO DE 1936, DISPUTARAM CARROS DO MESMO ANO. PERCUSSO ESTABELECIDO; SAÍDA DA PÇA G. VARGAS - AV. FCO. SALLES; RIO G. DO SUL; PIAUÍ; AMAZONAS E PÇA G. VARGAS, PONTO DE CHEGADA".

No mapa abaixo é possível ter uma ideia do traçado do "autódromo". Em verde está o trecho citado na foto; em amarelo, uma projeção, pois da Piauí os pilotos poderiam ter "descido", por exemplo, pela Assis (Rua Paraná), Minas Gerais ou Mato Grosso, alcançado a Paraíba ou Pernambuco, e depois a Amazonas.


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quinta-feira, 15 de julho de 2010

USINA PIONEIRA


Em 1º. de setembro de 1898, o Coronel Octaviano Ferreira de Brito inaugurou os serviços elétricos em Poços de Caldas, cuja fonte de produção era uma pequena usina instalada ao lado da então “Cachoeira das Antas”. O conjunto elétrico foi montado pela empresa Arens & Irmãos.

Na ocasião, a cidade contava com cerca de 2 mil habitantes, morando em 332 casas, e passou à frente de muitas capitais de estados que ainda não dispunham dos benefícios da energia elétrica. Com essa usina foi possível iluminar ruas e praças com 150 lâmpadas, além de outras 500 lâmpadas para residências e comércios.

A Usina funcionou até 1902, com a constituição de uma nova empresa de energia, que ampliou a capacidade e construiu uma nova casa de máquinas, ainda hoje em operação na Cascata das Antas. A fonte das informações acima é o próprio DME, por meio de uma placa colocada no local.

A antiga casa é hoje um ponto turístico denominado “Ruínas da Usina Pioneira”, cujo acesso se dá pela passarela à esquerda da Cascata das Antas. Foi completamente tomada pela vegetação, com árvores que criaram raízes “engolindo” a construção de pedras.

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REVISTA VEJA


Em 11 de setembro de 1968 chegava às bancas do Brasil a edição número 1 da revista Veja, cuja capa, ousadíssima para o turbulento período político, trazia como tema "O grande duelo no mundo comunista".

Poços de Caldas esteve presente nesta edição, ainda que modestamente, figurando como um dos muitos destinos dos "modernos e luxuosos ônibus da Viação Cometa".

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

CAIXA D´ÁGUA


Poços de Caldas, do alto de seu quase século e meio de história, é um bebê diante dos mais de 500 anos do País. Mas basta apenas um segundo para que um ato simples como o envio de um cartão-postal traduza-se num eterno momento.

É o caso da imagem acima, do acervo do Memória de Poços de Caldas. O cartão foi enviado no dia 27 de setembro de 1921, com a seguinte mensagem: "Ao bom amigo, lembranças, agradecimentos e um abraço do collega Costa Santos. Muito obrigado".

O destinatário do postal: "Ao Ilustre Almirante Felinto Perry - Digníssimo Diretor da Escola Naval de Guerra - Rua Dom Manoel, Rio de Janeiro".

Quem foi o "bom amigo"? "O Almirante Felinto Perry foi um oficial de reconhecida notabilidade no meio naval. Seu conhecimento e entusiasmo pelos submarinos o credenciaram a chefiar a Sub-Comissão Naval da Europa, de 1912 à 1914, acompanhando a construção dos primeiros submarinos de nossa Marinha. Ao regressar ao Brasil, criou e organizou a Escola de Submarino e Aviação, e foi nomeado seu primeiro Diretor. Exerceu significativos cargos de Comando no Mar, como o Encouraçado São Paulo, entre 11 de setembro de 1917 e 16 de janeiro de 1918, sendo também o primeiro Comandante da Flotilha de Submarinos, atual Força de Submarinos".

Quis o destino que, décadas depois, o cartão voltasse ao ponto de origem.

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VISITA IMPERIAL


"Poços de Caldas recebeu, a 22 de outubro de 1886, a visita de Dom Pedro II, que veiu especialmente para inaugurar o ramal de Caldas. O imperador chegou acompanhado de enorme comitiva, entre os quaes o Conselheiro Antônio Prado. Ficou em Poços de Caldas dois dias, indo passear na Cascatinha e Cascata das Antas, sendo acompanhado em ambos os passeios por enorme massa popular.

Para receber o Imperador, os dirigentes da cidade mandaram vir de S. João da Boa Vista um carro de praça; mas, ao sahir da estação, o carro atolou e foi preciso um enorme concurso popular para fazer o transporte de Sua Magestade, que veio na companhia da Imperatriz, da Princeza Isabel, do Cinde d´Eu, dos principes e de uma luzidia côrte, entre os quaes o Visconde Ibituruna, o medico do Paço, e varias damas de honor.

O Imperador permitiu que tirassem a sua photographia no meio do povo".

O texto acima foi retirado do livro "Poços de Caldas - Synthese Historica e Crenologica, do Dr. Mario Mourão, publicado em 1933, reproduzido com a grafia da época. A imagem é da mesma obra, e mostra a Fonte Pedro Botelho, em 1901, apenas cinco anos após a visita do Imperador. Clique na imagem para ampliá-la e note ao fundo, na direção do poste, o Palacete da Prefeitura, até hoje sede do Executivo municipal.

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MATRIZ DE POÇOS DE CALDAS


Vista da Matriz no final dos anos 1950, então construção de maior destaque no centro. Hoje a igreja está "perdida" entre tantos prédios. A cidade cresceu.

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

REVOLUÇÃO DE 1932


Nove de julho é feriado em São Paulo. A razão? A Revolução Constitucionalista de 1932. Conhecida também como "Guerra Paulista", aconteceu entre julho e outubro de 1932, com os paulistas reinvindicando a derrubada do governo Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. Daí o nome.

O movimento armado foi uma resposta à Revolução de 1930, que impediu a posse do governador de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da República e derrubou do poder o presidente Washington Luis, ex-governador de São Paulo. A data marca o início da Revolução de 1932, considerada a data cívica mais importante do estado de São Paulo

O último grande conflito armado ocorrido no País durou 87 dias de (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 - sendo o último, dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos.

E Poços de Caldas com a Revolução? A foto acima, do Arquivo Público Mineiro, não deixa dúvidas de que a Revolução atingiu nossa cidade: são os "Prisioneiros Paulistas, saindo do Banho Thermal". Pelo menos parecem ter sido bem tratados.

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