quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

OS PREFEITOS DE POÇOS DE CALDAS

Galeria dos prefeitos de Poços de Caldas. Em 1904, o governo de Minas Gerais, exercido pelo presidente Francisco Antônio Salles, implantou as prefeituras nas estâncias hidrominerais -até então as Câmaras Municipais cumpriam a função de poder executivo. Em 30 de dezembro daquele ano foi instituído o município de Poços de Caldas, administrado por um Conselho Deliberativo e um Prefeito, tendo sido nomeado pelo governo estadual para prefeito Policarpo Rodrigues Viotti, que recusou o cargo.
  
Em seguida, no dia 3 de janeiro de 1905, o governo nomeia David Benedicto Ottoni, então presidente da Câmara Municipal, para instalar a Prefeitura, até o dia 17 de janeiro daquele ano, quando chega à cidade Juscelino Barbosa.
   
Até 1947, os prefeitos eram nomeados. Promulgada a Constituição Estadual, a cidade passou a eleger os prefeitos. Vinte anos mais tarde, os prefeitos das capitais, Zonas de Segurança e Estâncias Hidrominerais passaram a ter prefeitos nomeados, até 1985, quando Poços de Caldas, desde então, elege seus prefeitos.
    
Uma curiosidade: até hoje nenhum prefeito exerceu dois mandatos consecutivos.

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
"Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la".Postagem atualizada em 03/10/2016

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

REESCREVENDO A HISTÓRIA DA CIDADE

A Prefeitura de Poços de Caldas publicou, recentemente, um sofisticado material, de responsabilidade da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura e da Secretaria Municipal de Comunicação Social, denominado "Poços de Caldas de braços abertos para você". Para quem conhece um pouco de artes gráficas, o catálogo conta com acabamento em verniz, que confere um brilho especial ao papel de alta gramatura adotado, além do refilado superior com faca especial, que dá um efeito de movimento em ondas ao produto, entre outros requintes. Nada disso importa se o assunto é a história de Poços de Caldas, foco deste site.
   
É justamente ao falar do passado da cidade que a prefeitura atropela a história do Brasil. Uma das seções (foto abaixo) do folheto destaca:
  
"Você sabia? Já hospedamos Dom Pedro II e sua esposa, a Imperatriz Dona Leopoldina, que vieram para a inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana. Esse acesso trouxe grande parte dos turistas de São Paulo para cá, desde o início do século XX".
Dom Pedro II veio a Poços de Caldas em 1886, de fato, para inaugurar o Ramal de Caldas. Até aí nada de novo. Que o Imperador veio acompanhado da Imperatriz e comitiva também é assunto bastante conhecido. O que não se sabia, até o momento em que a prefeitura resolveu reescrever a história do Brasil, é que a Imperatriz Leopoldina, apontada no texto oficial, era "esposa" de Pedro II. Não era esposa mesmo, mas a mãe do monarca!
 
Além disso, um impedimento certamente importante para uma eventual vinda da Imperatriz Leopoldina é ela ter morrido em 1826, portanto 60 anos antes da visita real a Poços de Caldas. Já a Imperatriz Tereza Cristina (a que veio...), essa sim a Imperatriz consorte e esposa de Dom Pedro II, morreu em 1889, pouco mais de um mês após o golpe militar que derrubou a monarquia e três anos após sua passagem por Poços de Caldas.
   
O legado cultural de Dom Pedro II é muito importante e sua memória requer respeito. Um exemplo: ao doar seu acervo iconográfico para a Biblioteca Nacional, o Imperador exigiu apenas que a coleção, com mais de 20 mil imagens, levasse o nome da Imperatriz -Colleção D. Thereza Christina Maria. A coleção recebeu reconhecimento pela Unesco, inscrita no Registro Internacional da Memória do Mundo, em 2003.
 
Não se pode considerar o grave erro cometido pela prefeitura um mero fato isolado. Carrega um simbolismo forte, que resulta de décadas de abandono da preservação da história de Poços de Caldas -e a insistência do Memória de Poços de Caldas na questão do patrimônio ferroviário parece não sensibilizar as autoridades locais. O que não desanima, ao contrário.
  
Ainda que a cidade tenha uma Praça Dom Pedro II (chamada Praça dos Macacos), o que de mais importante o Imperador deixou em Poços de Caldas -o Ramal de Caldas da Cia. Mogyana- está sendo varrido para baixo do tapete.
 
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

sábado, 24 de dezembro de 2011

O ENCANTO DO NATAL

É Natal. Então vou pedir aos amigos que acompanham o Memória de Poços de Caldas, como presente, fugir um pouco do foco deste trabalho para compartilhar, claro que dentro do tema pelo qual venho lutando sem cansar -preservação e reativação da ferrovia na cidade- o belíssimo comercial acima, bem como o texto que segue.
Um grande abraço e muito obrigado.
Rubens Caruso Jr.
   
"Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura muito interessante, quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos no carinho, amizade e companhia insubstituível... Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser mais que especiais para nós embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristeza. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por este trem de forma que, quando desocupam seu assento, ninguém sequer percebe.
Curioso é perceber que alguns passageiros que nos são tão queridos, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o percurso, atravessemos, mesmo que com dificuldades, o nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado para sempre.
Não importa, a viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, despedidas... porém, jamais retornos. Façamos essa viagem, então da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender, pois nós também fraquejamos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.
Eu me pergunto se quando eu descer desse trem sentirei saudades... acredito que sim. Separar-me de algumas amizades que fiz será, no mínimo, dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito riste, mas me agarro à esperança de que em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar mais feliz será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.
O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, ou até aquele que está sentado ao nosso lado.
Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranquila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem da vida". Silvana Duboc

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O GIRADOR DE LOCOMOTIVAS

Na Rua Junqueiras, junto à Estação Mogyana, está uma das mais importantes heranças da ferrovia em Poços de Caldas: o Girador de Locomotivas, que alguns chamam de virador, rotunda ou mesmo "vira-vira". É uma belíssima peça de engenharia, de operação extremamente simples, que serve para inverter o sentido de direção de uma locomotiva, em estações onde não há desvios para manobra dos trens. Nosso girador está incompleto -algum boçal deu fim nos trilhos e dormentes- mas a recuperação é muito simples.
   
O pequeno filme acima mostra o Girador que existe no trem de Tiradentes, MG. Dá para imaginar o impacto positivo que teria nosso equipamento operando em pleno centro da cidade.
   
Poços de Caldas também pode. Basta acreditar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

PETIÇÃO PÚBLICA - 2

Para animar ainda mais a Petição Pública que pede a "Reativação da linha ferroviária de Poços de Caldas e melhorias no bem tombado", que tal encaminhar o assunto aos nossos Vereadores, questionando-os se vão colocar seus nomes lá? Uma alternativa é enviar emails a eles, cuja lista está abaixo.
Após enviar o email, a Câmara responde com um pedido de confirmação da mensagem. Exerça a cidadania e cobre dos representantes do Povo um posicionamento.

Os emails dos vereadores de Poços de Caldas:
 
rogerioandrade@camarapocos.mg.leg.br
antoniocarlos@camarapocos.mg.leg.br
professorflavio@camarapocos.mg.leg.br
mariacecilia@pocosdecaldas.mg.leg.br
marcustogni@camarapocos.mg.leg.br
pauloeustaquio@camarapocos.mg.leg.br
reginacioffi@camarapocos.mg.leg.br
valdirsementile@camarapocos.mg.leg.br
waldemar@camarapocos.mg.leg.br
urutu@pocosdecaldas.mg.leg.br
joneieiras@pocosdecaldas.mg.leg.br
joaquimdafarmacia@pocosdecaldas.mg.leg.br

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PETIÇÃO PÚBLICA

Uma ótima iniciativa dos estudantes da Escola Criativa Idade:
   
Abaixo-assinado - Reativação da linha ferroviária de Poços de Caldas e melhorias no bem tombado
Para: Sr. Prefeito de Poços de Caldas Paulo César e demais autoridades competentes
“Durante alguns anos, a Estação Ferroviária de Poços de Caldas, conhecida localmente como “Fepasa” -a qual insisto tratar de Estação Mogyana, considerando suas origens com o Ramal de Caldas da Cia. Mogyana, inaugurado em 1886 por Dom Pedro II- foi utilizada como sede da Guarda Municipal. O prédio, apesar de ocupado pela Municipalidade, deteriorou-se de tal forma que a simples observação da área externa era desoladora. Bastante modificada em relação ao projeto original, mas ainda assim construção importante e imponente, inclusive tombada pelos órgãos municipais de defesa do patrimônio histórico (prédio e adjacências), a Estação passou por uma reforma recente que lhe devolveu um pouco da vitalidade, mas essa aparência cai diante de uma observação mais detalhada, como a pintura de má qualidade, janelas de madeira deterioradas ou calhas de chuva danificadas, entre outros, culminando com a instalação de uma porta de vidro “blindex” na entrada”. (Rubens Caruso). 
   
As crianças da Escola Criativa Idade, ao estudar a história do trem, e em particular o trem de Poços de Caldas e seu leito ferroviário, se mobilizaram para pedir melhorias no edifício tombado e a reativação da linha. Encontram em seus estudos um parceiro, Rubens Caruso, que já vem lutando pela preservação deste patrimônio há um bom tempo. 
  
O que queremos é: 
-a preservação e o cumprimento das leis de tombamento da Estação e o conjunto ferroviário adjacente, incluindo a remoção dos muros particulares que fecharam o acesso aos trilhos; 
-a preservação, o tombamento e a transformação do conjunto “Pilares da Mogyana” em logradouro turístico; 
-a preservação e tombamento do patrimônio arquitetônico e ferroviário existente na “rua Beira-Linha”, encerrando a ideia de transformação do leito da ferrovia em avenida ou ciclovia; 
-a reativação do trecho entre a estação central de Poços de Caldas e a estação Bauxita para, num futuro próximo, ver reativado o trem de passageiros ligando Poços de Caldas ao estado de São Paulo. 
  
Acessem o blog Memórias de Poços (www.memoriadepocos.com.br) e vejam todo o levantamento feito pelo jornalista Rubens Caruso. 
  
No blog da escola Criativa Idade você encontra depoimentos recolhido pelas crianças de moradores da rua “Beira Linha”. (www.escolacriativaidade.blogspot.com). 
  
Os signatários
  
Espetáculo! São jovens com atitude, exemplo para muitos adultos. Parabéns aos alunos e à Escola, que está formando não apenas estudantes, mas cidadãos de verdade. Se você, Leitor, quiser assinar a petição pública, clique em:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N18278

Repercutindo: o ótimo blog do Flávio Gomes, grande nome da imprensa automotiva, publicou o post que você observa abaixo. O blog tem mais de 100 mil acessos por dia. Clique aqui para visitar.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DE CAUSAR ENGULHOS

A foto acima é a prova incontestável do quanto a prefeitura está atenta e zelosa em relação à Estação Ferroviária de Poços de Caldas, patrimônio histórico brasileiro que -nunca cansa repetir- é tombado pela própria prefeitura.
   
Publicada no site oficial, a imagem mostra a entrega do bem sorteado entre os que pagaram IPTU em dia: um Ford Fiesta de pouco mais de 1.000 quilos, justamente -de novo, não cansa repetir- sobre os históricos ladrilhos hidráulicos da plataforma da estação. Importante lembrar que a cidade tem 544 km², portanto há muitos outros locais para "eventos" desse tipo.
    
Ao lado do prêmio, riem prefeito e vice-prefeita. A história chora.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O QUE ESTÃO FAZENDO COM A MOGYANA?

História real: um incauto turista está em Poços de Caldas e dirige-se à Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, portando o material promocional denominado "Poços de Caldas de braços abertos para você!", no qual se lê "CIT Centro de Informações Turísticas - Praça Paul Harris, s/nº - Antiga Estação Ferroviária".
   
Lá chegando, o cidadão depara com uma, de fato, antiga estação ferroviária. Olhando sem minúcias, surpreende-se pela aparente conservação da fachada. Adentra o saguão do prédio e pensa no que leu no mesmo folheto oficial: "Você sabia? Já hospedamos Dom Pedro II e sua esposa, a Imperatriz Dona Leopoldina (sic), que vieram para a inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana. Esse acesso trouxe grande parte dos turistas de São Paulo para cá, desde o início do século XX".
   
Animado, o visitante dá mais uns passos em direção à plataforma da Estação, e o que encontra?
 Encontra cabeça e braço do Papai Noel, da "banheira" que ficou diante da Thermas no Natal passado.
 Encontra um luminoso da Secretaria de Turismo, sabe-se lá de que era, jogado como sucata.
 Encontra dezenas de cadeiras e mesas de plástico, talvez as mesmas usadas nas Sinfonias das Águas.
 Encontra bancos de madeira talvez servindo de cercadinho para materiais diversos.
 Encontra uma horrorosa cobertura, de estilo "rústico", cravada sem dó no leito da ferrovia.
Encontra a Kombi e outras viaturas da prefeitura.
 Encontra duas geladeiras tombadas, largadas ao relento.
 Encontra a placa da inauguração da "obra de adequação" da Estação.
 Encontra uma caixa de som no banheiro.
 Encontra coisas que nem dá para entender o que são.
Encontra até a rampa feita sem critério sobre o histórico ladrilho hidráulico da plataforma.
  
Pensando estar num filme de terror o viajante recua, assustado com o cenário, certamente imaginando o que o aguarda -se a sede da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de uma cidade turística é assim, o que esperar pela frente?
 
Pois é. O viajor pode -e vai- encontrar muita coisa boa e bonita em Poços de Caldas. Mas é necessário deixar registrado (e nisso a internet é imbatível, já que jornal dura um dia e noticiário da tv ou do rádio quase ninguém grava) como a atual administração de Poços de Caldas vem tratando o patrimônio ferroviário, propriedade do Povo brasileiro, tombado pelo município como "Patrimônio Histórico". A própria prefeitura, que gosta de ressaltar a presença do Imperador por essas paragens, não se inibe de transformar a Estação Mogyana num muito mal-ajambrado depósito.
   
Agindo ou deixando de agir, os principais responsáveis pelo que se vê nas absurdas imagens acima (feitas nos dias 8 e 10 de dezembro de 2011) são: Sr. Paulo César Silva, prefeito de Poços de Caldas; Sra. Gláucia Boaretto, vice-prefeita; Sra. Maria Lúcia Mosconi, secretária de turismo; Sr. Marco Antônio Dias de Paiva, diretor de turismo; Sr. Misael de Mendonça, secretário de planejamento, desenvolvimento urbano e meio ambiente; Sr. Osmero Pelegrinelli Jr., presidente do Condephact -o conselho de defesa do patrimônio histórico, artístico, cultural e turístico da cidade; Sr. Waldemar A. Lemes Filho, presidente da Câmara Municipal de Poços de Caldas.
  
Para contestar a verdade dura e triste das fotos e dos fatos, o espaço está aberto, democraticamente. Não se trata de um desafio, mas de um chamado à consciência cidadã. Autoridades, diante da importância de um patrimônio dessa magnitude -o "Ramal de Caldas" é o único ainda ativo da Cia. Mogyana, vivo apenas pelo trânsito de bauxita- deveriam sempre se perguntar: "devo, posso, quero"?
 
Mais do que um debate romântico sobre o passado, o assunto pertence ao futuro de Poços de Caldas: é da antiga Estação Mogyana que se vislumbram muitas soluções para problemas da cidade, incluindo transporte público urbano. O leitor é convidado. Participe.

Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
 
Atualizando: a prefeitura informa que no próximo sábado, 17 de dezembro, premia os contribuintes com o IPTU em dia. A entrega dos prêmios será às 10h, na Fepasa, de acordo com a nota oficial. Para quem não sabe, "Fepasa" é a Estação Mogyana, a mesma do assunto acima. Uma ótima chance para munícipes, mídia e autoridades apreciarem a "decoração".
   

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PESADELO SEM FIM?

"Maria-Fumaça" é o apelido carinhoso pelo qual muitos brasileiros se referem às clássicas locomotivas a vapor. Para funcionar, essas máquinas precisam de uma fonte de calor e água, convertida em vapor para executar a função mecânica de movimentar o veículo. Para armazenar a água e abastecer as caldeiras das locomotivas, as empresas ferroviárias usam grandes caixas d'água junto ao leitos das ferrovias.
  
Em Poços de Caldas, são duas as caixas d´água remanescentes da Cia. Mogyana, empresa ferroviária que criou o Ramal de Caldas, cujo final é justamente a Estação localizada no centro da cidade: uma caixa está instalada desde 1886 onde hoje é a  Praça dos Imigrantes; a outra está na rua Beira Linha (fotos abaixo).
Desde 2008 tem gente de olho na segunda caixa. O Condephact -conselho que tem por missão defender o patrimônio histórico de Poços de Caldas- teria encaminhado um ofício, solicitando ao Ministério Público estadual um posicionamento sobre a cessão precária do patrimônio, e o MP teria respondido que não se oporia à deliberação do Conselho desde que a mesma fosse mantida em local acessível ao público, com visitas sem restrição; se existisse autorização legal e/ou administrativa para utilização de bem público em benefício particular, com medida compensatória (restauração, por exemplo) e se a cessão seja limitada ao prazo de cinco anos, oportunidade em que deve ocorrer renovação da deliberação de cessão pelo poder público e pelo Condephact de Poços de Caldas, entre outras exigências.
   
Ora, é o Condephact pedindo a mudança de local da caixa d´água que está desde sempre naquele lugar! É essa a função do Conselho? Trata-se de pleito sem sentido: a caixa está em sua instalação original e um particular quer tirá-la de lá; o Conselho não apenas endossa o pedido como ainda vai ao MP para tentar dar um ar de legalidade a essa aberração com uma peça tão importante do patrimônio ferroviário?
   
Nessa linha, o Condephact poderia fazer uma lista e sair oferecendo os bens históricos a quem se interessar: o Girador de Locomotivas, os ladrilhos da Plataforma, as estruturas metálicas da Estação, os postes telegráficos, a ponte do São Geraldo... não vai faltar gente interessada!
   
O patrimônio ferroviário é de todos, e o de Poços de Caldas é uma verdadeira joia por ainda manter muito de sua originalidade. Não vai ser removendo os bens de seus locais que vamos preservá-los. Se a prefeitura usa o prédio da Estação, nada mais correto que o mantenha em perfeitas condições e com uso adequado e distintivo, e seus acessórios também, o que não vem ocorrendo. Não se sabe o desfecho do pleito.
   
Fica então o pedido ao MP: oponha-se a essa ideia ilógica do Condephact, e exija da prefeitura não apenas a preservação do espaço tombado pela própria prefeitura, mas também de todo acervo ferroviário. O conselho continua devendo uma manifestação sobre o pedido de tombamento do remanescente da ferrovia (protocolado em 4 de agosto de 2011), o que inclui, claro, a caixa d´água da rua Beira Linha.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ÉMERSON, 65

Émerson Fittipaldi completa hoje 65 anos. Ícone de todos brasileiros, fez impressionante carreira desde o kart até a Fórmula 1, além da Fórmula Indy, tendo conquistado duas vezes a 500 Milhas de Indianapolis. Junto ao irmão Wilson, ousou ao criar e ser piloto da única equipe brasileira de Fórmula 1, a Copersucar-Fittipaldi.
   
A foto acima, enviada pelo amigo Albert Cagnani, mostra o jovem Émerson entre os pais Wilson e Juze, participando do Rallye Poços de Caldas, com um lendário DKW, no final da década de 1950 ou começo dos 1960.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TREM TURÍSTICO DE POÇOS DE CALDAS

"O trem está de volta". Com esse título um jornal de Poços de Caldas noticiou o retorno das viagens que o filme acima, do acervo de Antônio Carlos Torres (que foi Chefe da Estação de Poços de Caldas), mostra, em detalhes, entre Águas da Prata e Poços de Caldas.
   
O Trem Turístico começou a circular em outubro de 1987, especialmente pelo esforço de Eder Alvise, dez anos após terem sido suspensas as viagens de trens de passageiros, permanecendo apenas o transporte de cargas. Em 1997, a Fepasa decidiu pela retirada dos trilhos entre as estações Bauxita e Poços de Caldas.
   
Filmes como esse mostram não apenas o quanto estamos perdendo em turismo e mobilidade -note as paisagens da serra, com cachoeiras, túnel e o Viaduto do Tajá, no qual o trem se "equilibra" num trilho com 1 m de bitola- mas são provas da imbecilidade que acomete alguns políticos, que não enxergam nada além do nariz. Um mínimo de inteligência teria mantido a estrutura ferroviária e hoje não estaríamos sonhando novamente como sonharam os poçoscaldenses nos anos 1980.
   
Assista o filme e não deixe de comentar. Ter o trem de volta em Poços de Caldas é, sem dúvida, um grande projeto para a cidade, queiram ou não os atuais mandatários.
  
Memória de Poços de Caldas permanece firme no propósito de preservar o patrimônio ferroviário (o assunto tramita desde agosto de 2011 no Condephact, ainda sem qualquer resposta) e resgatar a presença do trem na cidade.
   

domingo, 4 de dezembro de 2011

TRIÂNGULO DE FÉ

Que o Google Earth é uma grande ferramenta educacional não há dúvidas. Muitos o usam como passatempo ou para passeios virtuais a determinados lugares, entre outras utlidades.
 
Uma "volta" por Poços de Caldas e é possível encontrar algumas curiosidades, como a destacada na foto acima, com quatro igrejas históricas formando praticamente um triângulo equilátero: Igreja de Santo Antônio (A), Igreja Metodista (B), Igreja de São Benedito (C) e Basílica Nossa Senhora da Saúde - Matriz (D).
  
Usando o próprio Google, chega-se às seguintes distâncias aproximadas, tendo as torres como referências: A-C 540 metros; C-D 580 metros; D-A 540 metros. As torres das igrejas do lado A-C estão perfeitamente alinhadas.
  
O triângulo tem forte importância mística e religiosa: o equilátero simboliza os ternários ou tríades sagradas, (Pai, Filho, Espírito Santo, para os católicos, por exemplo). O triângulo isolado representa ainda a neutralidade ou o equilíbrio de forças divinas.
  
Até mesmo na bandeira de Minas Gerais o triângulo aparece em destaque. No Wikipédia há uma explicação: "De acordo com Tiradentes, o triângulo central simbolizava a Santíssima Trindade, e, segundo muitos, os ideais pregados pela Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Há controvérsias a respeito da cor original do triângulo, que alguns julgam ser verde originalmente. O vermelho, contudo, acabou sendo adotado como símbolo-mor das revoluções. O triângulo também demonstra a influência da Maçonaria na Inconfidência Mineira, por ser um dos símbolos usados por esta organização.
  
Será que estamos diante de uma grande coincidência ou a mão do homem determinou o agora mistério das igrejas alinhadas em Poços de Caldas?
  
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

sábado, 3 de dezembro de 2011

POÇOS DE CALDAS - VISTA PARCIAL

A imagem acima foi enviada pelo amigo Maurício F. Monteiro: uma vista de Poços de Caldas, na década de 1950. Em primeiro plano, à esquerda, está o Chalé do Conde Prates. Logo atrás dele, o Hotel Glória, que até hoje conserva a fachada original em ótimas condições. Mais ao centro da imagem, próximo à Thermas Antonio Carlos, o Posto Touring, que deu  lugar ao Calendário Floral.
   
À direita da Thermas está o Imperial, grande cassino, em demolição. No local hoje há uma agência bancária. No tempo em que só havia o Edifício Bauxita, destacavam-se as três torres das igrejas: Matriz antiga, Metodista e São Benedito. Compare a imagem com a publicada aqui
   
Agradecimentos ao Maurício por compartilhar a foto.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

AS BANHEIRAS DE ANTONIO CARLOS - II

Memória de Poços de Caldas mostrou, em agosto passado, a situação em que se encontravam as históricas banheiras da Thermas Antonio Carlos, depositadas em condições precárias junto a um grande galpão do DME, na represa do Cipó. De acordo com uma autoridade entrevistada na tv, as banheiras estariam "bem guardadas e em local seguro". Cerca derrubada e completa ausência de segurança, além de muitas banheiras em perfeitas condições deixadas ao relento: a isso chamam "bem guardadas".
   
O problema é tão sério que até mesmo uma janela do galpão do DME foi arrancada, conforme se observa abaixo, na última foto.
   
É o retrato do sorumbático destino que a atual "República do Enxofre" dá ao patrimônio histórico de Poços de Caldas: o relógio da Matriz quebrado, o Veú das Noivas em más condições, a Estação Ferroviária servindo de depósito de tranqueiras da secretaria de turismo, o Palacete da Prefeitura sem o respeito que merece, o casarão do Country Club servindo a projetos experimentais de pintura, fontes recebendo cloro... Seria importante a manifestação do Condephact, o conselho responsável pela defesa do patrimônio histórico. Espaço aberto.
   
Clique nas imagens no Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   
 
 
 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CRISTO REDENTOR: IRMÃOS GÊMEOS?

O Cristo Redentor do Rio de janeiro foi inaugurado em 1931, mesmo ano do complexo Thermas, Palace Hotel e Palace Casino de Poços de Caldas, e é uma das referências mundiais do Brasil. Tem 30 metros de altura e muitos "irmãos" menos famosos espalhados pelo Brasil: são cerca de 250 deles, com medidas que chegam até 12 metros de altura. Em comum o fato de terem sido construídos pela família Papaiz, da cidade de Campinas, SP.
Cristo Redentor "original", no Rio de Janeiro  
A primeira "réplica do Cristo Redentor" foi produzida por Otaviano Papaiz. Na década de 1950 ele tinha uma marmoraria e trabalhava com arte sacra quando construiu uma estátua de 12 metros. “Não sei o que deu na cabeça dele”, diz o filho Ivo Papaiz, que era adolescente na época.
   
Alberto Andaló, então prefeito de São José do Rio Pardo, SP, gostou da imagem e decidiu comprá-la para a cidade. Papaiz tinha os moldes e a produção tornou-se um negócio, com estátuas de mesmo tamanho entregues em Serra Negra (SP), Taubaté (SP), Poços de Caldas (MG) e mais 15 cidades.
Taubaté, SP
Ivo garante que depois de 1964 houve aumento no número de pedidos, afirmando que só não tem "imagem de Cristo nas regiões em que Padre Cícero manda”. As réplicas foram enviadas para o Brasil inteiro: de Coari, no Amazonas, até Guaporé, no Rio Grande do Sul.
   Guaporé, RS
Não foi tarefa fácil fabricar as imagens. Papaiz construiu um modelo em barro, depois outro em gesso. A quantidade de peças varia de acordo com o tamanho da imagem: nas de 8 metros são 51 itens; nas de 12 metros são 141 partes. As primeiras peças (inferiores) têm formato de anel, o que deixaria a imagem oca por dentro, sendo recomendado colocar cimento ou até mesmo entulho na parte vazia até a metade do “corpo”, por razões de segurança.
Poços de Caldas, MG
Não era um empreendimento caro: o serviço dos Papaiz não ultrapassava o equivalente a cerca de 12 mil reais pela maior estátua o que, de acordo com Ivo, foi um dos fatores que mais ajudaram na popularização -os prefeitos não precisavam da autorização das Câmaras para "pequenas compras".

Depois de 2000, as encomendas foram reduzindo e Ivo credita isso à burocratização das prefeituras e o fortalecimento de outras religiões. Em 2005, ele vendeu os moldes e deixou o negócio. Fonte: Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte.
   
Mas outra história, reproduzida no site da Prefeitura de Poços de Caldas, conflita com as informações do Papaiz herdeiro da arte: "Localizado no alto da Serra de São Domingos, a 1.686 m acima do nível do mar, o monumento do Cristo Redentor impressiona pelo seu tamanho e beleza, sendo o segundo maior do Brasil".
 
Será que existem outros "segundos maiores"? Até a vizinha Pouso Alegre reivindica o posto. Se as réplicas eram feitas a partir de moldes, a variação de altura pode estar nos pedestais das imagens? Quem poderá, munido de trena e escada, elucidar os mistérios: nosso Cristo é mesmo o segundo maior do Brasil? Qual a dimensão exata da imagem, do pedestal e da base? Ou estamos diante de mais um erro histórico que, repetido, virou "verdade"?
  
Veja outras obras de Papaiz: São José do Rio Preto, SP; Amparo, SP;

terça-feira, 22 de novembro de 2011

FACHADAS OCULTAS

A foto antiga é um cartão-postal, da década de 1920. Mostra a Rua Paraná, hoje Rua Assis Figueiredo, próximo à Rua São Paulo. Ao fundo, a Serra de São Domingos, ainda sem o Cristo. A foto recente é do Google Earth.
  
Poços de Caldas precisa, urgentemente, passar por um processo como o que ocorreu em São Paulo, SP, denominado Cidade Limpa, acabando com a poluição visual que o comércio insiste em praticar, além de esconder belas e históricas fachadas. O momento é propício, pois discute-se a reforma do Plano Diretor.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O TREM NA ESCOLA


Memória de Poços de Caldas foi à escola, desta vez a Criativa Idade, que está desenvolvendo, entre todas as séries, interessante e importante trabalho sobre a ferrovia em Poços de Caldas.
   
O material apresentado, o mesmo que ilustrou o pedido de tombamento de todo remanescente do acervo ferroviário ainda não protegido na cidade, serviu de base para um debate de alto nível, com alunos de diversas faixas etárias -não são crianças, são jovens atentos à realidade e às questões econômicas, sociais e políticas da cidade, sem dúvida, sob influência de um projeto pedagógico de qualidade.
   
Conversa franca e aberta que durou quase duas horas, de lá certamente brotarão muitas ideias. O projeto da escola inclui até mesmo trabalhos de campo, como visitas à Estação e trecho urbano da ferrovia, além de viagens a Jaguariuna, SP, para conhecer o trem turístico daquela cidade.
   
Parabéns à Escola, e um agradecimento especial aos alunos, professores e às diretoras Tereza e Maria Carolina.
   
Saiba mais sobre a Escola Criativa idade clicando aqui

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O TREM DE ITU - PATRIMÔNIO DE MINAS PARA SÃO PAULO

Peço aos Amigos do Memória de Poços de Caldas a leitura atenta das duas reportagens reproduzidas abaixo, enviadas pelo leitor Clodoaldo:
    
"Trem Republicano entre Salto e Itu contará com materiais mineiros
  
Governo Federal disponibilizou objetos inventariados.
Governo Federal já disponibilizou alguns materiais inventariados para o projeto do Trem Republicano entre Salto e Itu. Nos dias 3, 4, 5 e 6 de outubro, o Assessor de Gabinete de Salto, Wanderley Rigolin, e o secretário de Planejamento de Itu, Genésio Severino da Silva percorreram seis cidades do sul de Minas Gerais para reconhecimento dos materiais.
   
Além de passarem pelos municípios de Varginha, Três Corações, Pouso Alegre, Conceição do Rio Verde, Caxambu e São Lourenço, eles também participaram de uma reunião na Advocacia Geral da União (AGU), onde oficialmente celebraram um acordo de retirada dos trilhos destas cidades.
   
Devido a uma solicitação feita pelos prefeitos de Salto e Itu ao Departamento Nacional de Infraestruturas e Transportes (DNIT), em visita à Brasília, foi encaminhado o técnico Ignácio Loyola Chaves Horta, de Minas Gerais, para acompanhar os técnicos do Consórcio Intermunicipal para Implementação do Projeto.
  
Após a assinatura junto a Procuradoria da União será feita a retirada e transporte do material até o canteiro de obras em Salto e Itu. Já se estuda a logística com empresas especializadas.
   
“É uma pena que materiais chamados leves, tais como talas de junção, placas de apoio e parafusos, não mais existem nos locais, mas os trilhos estão em bom estado e são em quantidade suficientes para complementar nossa ferrovia”, declarou Wanderley Rigolin.
    
A notícia acima foi publicada em 21 de outubro de 2011, em um site da cidade de Itu.
    
É triste ver que o sul de Minas Gerais tornou-se doador de acervo ferroviário. Resume perfeitamente o descaso que vem acontecendo em Poços de Caldas e o destino que um patrimônio como o nosso pode ter. Ainda que mantendo viva a cultura simbolizada pela ferrovia, certo é que nada é melhor que o patrimônio em seu local original. O mesmo site tem uma outra referência importante ao assunto, publicada em 10 de fevereiro de 2010. Confira:
   
"Ministro do Turismo visita Itu e autoriza Trem Republicano
   
Trem Republicano entre Salto e Itu contará com materiais mineiros
Um importante passo para a concretização do sonho de um trem turístico ligando as cidades de Itu e Salto foi dado. No dia 10 de fevereiro, o Ministro do Turismo, Luiz Barreto, assinou o edital de licitação do projeto.
  
Apelidado de “Trem Republicano”, o projeto visa implantar um trem a vapor (Maria Fumaça) que percorrerá o trajeto de sete quilômetros entre as duas cidades, utilizando o antigo leito férreo da Companhia Ituana de Estrada de Ferro que foi inaugurado em 17 de abril de 1873, um dia antes da Convenção Republicana de Itu.
   
Durante a solenidade, realizada em Itu diante da antiga estação férrea do município, o ministro confirmou a liberação de mais R$ 1 milhão para as obras até o final deste ano. Até então, o Governo Federal já havia destinado R$ 4 milhões para o Trem Republicano, verba esta que será administrada pelo consórcio intermunicipal entre Itu e Salto. O projeto demandará investimentos totais de mais de R$ 10 milhões e também contará com recursos dos próprios municípios para ser viabilizado. A deputada federal Aline Correa, que também participou do evento, prometeu apresentar uma emenda para auxiliar na implantação do projeto, mas não mencionou valores.
   
O Trem Republicano pretende trazer um forte incremento ao potencial turístico dos dois municípios e de toda a região. “Eu estou muito feliz, porque eu acho que o turismo está ocupando cada vez mais espaço no desenvolvimento econômico nacional; e a gente precisa de projetos como esse, que integrem as cidades, sem concorrência, mas pensando em como torná-las roteiros complementares, usufruindo de todos os recursos que elas possuem”, afirma Barreto.
   
Há uma coincidência importante: 7 quilômetros separam as cidades de Itu e Salto -a mesma distância entre nossa Estação Mogyana, no centro de Poços de Caldas, e a Estação Bauxita. São os 7 km de trilhos que foram removidos sabe-se lá quando e por quem, e que impedem nossa cidade de ter um trem turístico ou de passageiros, ligando Poços de Caldas a São Paulo ou o centro à zona sul.
    
O projeto, orçado em cerca de R$ 10 milhões, conta com apoios importantes, como uma deputada federal se propondo a colocar uma emenda no orçamento da União, incluindo R$ 4 milhões já destinados pela União. Em Poços de Caldas temos pelo menos dois representantes regionais no Congresso, que podem propor emendas ao orçamento federal, e cabe à prefeitura buscar recursos federais -para tanto é preciso o interesse e o compromisso formal do chefe do Executivo, abraçando de verdade a causa e manifestando interesse na retomada da ferrovia, trabalhando para tanto. Talvez  com meio expediente na prefeitura fique mais difícil...
 
Memória de Poços de Caldas faz sua parte -alertar, informar e até mesmo mostrar o caminho, mas há limites, e desse ponto em diante a alçada é do Poder Executivo.
   

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

DEVOLUÇÃO CULTURAL - 50 MIL ACESSOS


Não, não há equívoco no título acima. Já passei pela fase de querer revolucionar tudo, de tentar mudar o mundo. Hoje satisfaço-me apenas tentando preservar a história desse pequeno universo chamado Poços de Caldas.
   
Menos de um ano e meio após entrar no ar, Memória de Poços de Caldas chega à casa das 50 mil visitas, número fantástico considerando-se o que o site pretendia atingir, desde o início, os que gostam da cidade, têm interesse no passado e, principalmente, os estudantes -todos podem ter acesso sem qualquer custo a um "mundo de informações". Tudo o que é publicado é fruto de pesquisas, as opiniões são duras porém justas, as fotos sempre que possível estão em tamanho grande.
    
Por isso a "devolução cultural", que revoluciona a disponibilidade de um material riquíssimo pelo mais moderno e democrático meio de comunicação -a internet.
  
Há outros desafios, que não se esgotam apenas na exibição e análise do passado, mas especialmente a ambiciosa manutenção da história e a preservação do que hoje existe e o despertar do interesse dos leitores, de modo que cobrem de nossas autoridades o cumprimento de suas obrigações diante de um riquíssimo passado que vai além de roletas e banhos sulfurosos. Há, por fim, o "ir um passo adiante", aliando o jornalismo às ações cidadãs -quem acompanha minha luta pela Ferrovia já percebeu isso.
   
Em cada centímetro de Poços de Caldas transpira-se e respira-se história. E, definitivamente, quem não conhece seu passado não sabe aonde irá no futuro.
   
Tenho orgulho desse trabalho. Muito obrigado pela confiança.
   
Rubens Caruso Jr.
 
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las. A que você observa acima é uma produção do site com duas fases da Avenida Francisco Salles, destacando o antigo Mercado Municipal e o Monotrilho.
   

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O TREM DE CAMPOS DO JORDÃO

Notícia publicada no site UOL:
    
"Estrada de Ferro de Campos do Jordão será recuperada
São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quarta-feira a recuperação da Estrada de Ferro Campos do Jordão. Serão investidos R$ 4,1 milhões na ferrovia por meio da Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM). Os recursos serão destinados à compra de máquinas e equipamentos necessários à manutenção das vias. Segundo governador, a revitalização será feita dentro da proposta de trens turísticos. A previsão é que as obras fortaleçam o turismo na região.
  
Em maio deste ano, a ferrovia já havia recebido R$ 2,9 milhões para obras emergenciais, que foram concluídas em outubro. As obras permitiram o restabelecimento das viagens turísticas que atendem os roteiros Campos do Jordão-Pindamonhangaba e Campos do Jordão-Santo Antônio do Pinhal. Os ingressos para as viagens de sexta, sábado e domingo já estão esgotados até o dia 9 de janeiro do próximo ano. Daqui a três anos, a Estrada de Ferro comemorará 100 anos de atividade".
  
Mal comparando, a Ferrovia em Poços de Caldas, se estivesse operando, teria completado 125 anos, inaugurada como ramal da Mogyana em 22 de outubro de 1886. Em São Paulo, o governador anuncia o investimento milionário no trem turístico, enquanto nossa cidade tenta sepultar rapidamente o patrimônio ferroviário, cercando a Estação com muros privados "devidamente" autorizados pela prefeitura. Importante observar a demanda turística em Campos do Jordão: aos finais de semana os ingressos para passear no trem estão esgotados até janeiro, enquanto em nossa Estação jaz um improvável trailer em cujo interior estão depositados -acredite- bambus!
   
Felizmente resta a esperança no Ministério Público Federal (não confundir com o MP estadual), que está bastante empenhado em preservar o que pertence a todos os brasileiros. Por aqui, decorridos três meses desde que foi protocolado pelo editor do Memória de Poços de Caldas um pedido de tombamento de todo o remanescente do patrimônio ferroviário, no Condephact, este conselho sequer se dignou a informar se o assunto andou. No site da prefeitura constam apenas as lacônicas expressões "tramitando" e "atrasado" -muito pouco diante da importância da ferrovia na história da cidade. No mesmo site é possível acompanhar a importantíssima notícia sobre a instalação de painéis fotográficos nos tapumes que cercam a Thermas Antonio Carlos, destacando inclusive que o trabalho tem "patrocínio" da empresa que está reformando o Balneário.
  
Enquanto isso, servidores da prefeitura prometem aos moradores da rua Beira-Linha o asfaltamento no local. Patrimônio histórico asfaltado, pode? 
   

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A PREFEITURA ERROU. NO MÍNIMO.

Modelo de preservação de área tombada pelo Patrimônio Histórico, como acreditam Prefeitura e Condephact
Tantas são as leis, decretos, resoluções ou outros muitos nomes a reger a vida dos cidadãos poçoscaldenses que nem mesmo o mais preparado dos vereadores é capaz de dizer quantas leis municipais vigoram em nossa pequena cidade.
   
O que é certo é que existe uma hierarquia de normas e em Poços de Caldas há a Lei Orgânica do Município, verdadeira Carta Magna, uma "Constituição" da cidade.
   
E é justamente a maior lei da cidade que vem sendo "atropelada" por aqueles que juraram cumpri-la: os poderes Executivo e Legislativo -a Câmara simplesmente fazendo vista grossa ao que se passa muito próximo de sua sede, na área vizinha à Estação Ferroviária, espaço tombado e por isso, protegido como patrimônio histórico há quase duas décadas, parte dele ora ocupado por um posto de combustíveis e um restaurante que, sob anuência do Executivo, construíram muros sobre o leito da ferrovia (o local de circulação dos trens), além de uma central de gás e até mesmo um inimaginável lavador de carros, entre outros, "tudo dentro da mais absoluta legalidade", dizem as autoridades municipais e até mesmo estaduais, amparados por exemplo pela autorização que teria sido concedida pela secretaria municipal de Planejamento para as intervenções.
   
E o que diz a Lei Orgânica? Confira:
  
"Art. 15. Leis próprias disciplinarão a utilização de bens imóveis públicos edificados de valor histórico, arquitetônico ou artístico, bem como a composição, defesa, utilização e alienação dos bens públicos municipais. 
Art. 16. Os bens do patrimônio municipal devem ser cadastrados, zelados e tecnicamente identificados, prioritariamente as edificações de interesse administrativo, as terras públicas, os bens móveis e a documentação dos serviços públicos. 
Art. 17. É vedado ao Poder Público descaracterizar praças, parques, reservas ecológicas e espaços tombados no Município, ou neles abrir vias públicas e edificar, ressalvadas, mediante autorização legislativa, as construções estritamente necessárias à preservação e ao aperfeiçoamento das mencionadas áreas".
   
Observe bem a foto acima: trata-se de uma área tombada pelo Patrimônio Histórico, e o artigo 17 citado é bem claro: o Poder Público (a Prefeitura Municipal de Poços de Caldas) não pode descaracterizar espaços tombados pelo município. Dirão os mais afoitos que "não foi a prefeitura que descaracterizou, mas o legítimos donos do espaço". Ora, mas se é área tombada e, portanto, de interesse coletivo, como explicar que a prefeitura, se não autora da descaracterização, tenha concedido o direito de descaracterizar, logo ela, quem tem a missão de cuidar o que é do Povo ? Trata-se de perigoso precedente, pois doravante todo proprietário de bem tombado, por analogia, terá direito de descaracterizar seu imóvel -e uma fachada clássica não difere em nada de uma leito de ferrovia quando o assunto é preservação.
   
Consulta ao arquivo digital de leis no site da Câmara Municipal aponta como tombados, além da Estação Ferroviária e adjacências, os seguintes imóveis: os prédios do Aeroporto, Prefeitura e Country Club, a Fonte dos Amores e o Véu das Noivas -todos esses "bens públicos", além de quatro igrejas, incluindo a Matriz. Não consta qualquer bem privado como "tombado".
   
Para que não passe sem sanção qualquer falha na preservação dos bens, o artigo 18 da Lei Orgânica esclarece: "Verificada a lesão ao patrimônio público e a impossibilidade de reversão, o Poder Executivo tomará as medidas judiciais cabíveis, visando ao ressarcimento dos prejuízos, sob pena de responsabilidade".
   
Parece mais complicado do que realmente é. A área tombada junto à Estação Ferroviária é, definitivamente, um patrimônio público -não fosse, não teria uma lei (5.376, de 1993) que especificamente tratou de (tentar) proteger todo o perímetro que vai do Girador de Locomotivas até as primeiras casas funcionais da rua Beira-Linha, e do morro até a Avenida João Pinheiro; há sim lesão a esse patrimônio, no mínimo pelo impedimento de circulação de pessoas por conta de muros que fecharam o leito da ferrovia, sem falar da descaraterização física, e nisso a própria prefeitura contribui transformando a área da plataforma em depósito de materiais da secretaria de turismo ou em estacionamento de carrocinhas de garis, além de uma porca rampa para acesso de veículos apoiada no piso da plataforma, entre muitos outros absurdos. Todo esse descaso está lá, à vista, como para demonstrar quem é que manda e desmanda na cidade.
   
O artigo 18 fala da "impossibilidade de reversão", o que o próprio Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico assegura não haver, pois os "muros seriam removidos" ante a presença de uma locomotiva se aproximando (metaforicamente, claro), mas fica difícil imaginar o Poder Executivo tomando "medidas judiciais cabíveis" contra si, pois é a própria prefeitura que liberou e mantém viva a descaracterização do patrimônio histórico. E vem mais por aí, caso de uma placa de um projeto social a ser instalada na fachada do armazém da Estação.
  
Se a lei municipal maior não basta, invertendo-se a hierarquia dos diplomas há a Lei Complementar 70, promulgada na gestão passada (e da qual o atual prefeito participou como co-líder), que é clara em seu artigo 9o.: "Os bens tombados não poderão ser alterados sem PRÉVIA (grifo nosso) autorização do Condephact". E a quase totalidade das intervenções no patrimônio tombado se deram à revelia do Conselho, que é presidido por um funcionário comissionado da prefeitura e exerce cargo de direção na Secretaria de Planejamento -deve ser uma tarefa árdua decidir entre o pretensamente interessante para a cidade e a manutenção de um patrimônio tombado por lei.
   
Passou da hora da responsável Prefeitura reverter o estrago. Sob pena do atual prefeito carregar em seu currículo a marca histórica de "prefeito que liquidou de vez a ferrovia em Poços de Caldas". Por ação ou omissão. 
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

AVENIDA FRANCISCO SALLES

Foto postal do acervo do Memória de Poços de Caldas, do final da década de 1910, mostra a Avenida Francisco Salles, no quarteirão do Palacete da Prefeitura e Mercado Municipal -entre os dois prédios observa-se as fachadas do Polytheama e do Grand Hotel. Note os belíssimos postes no meio da rua, num tempo em que automóveis eram muito raros.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
   

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

DIÁRIO DE SÃO BENEDITO

Material publicado no site Poços de Caldas de Prontidão. Trata-se de de um pequeno jornal, informativo da Festa de São Benedito, de 1943.
Observe na primeira página, acima,  a referência à construção da nova matriz, além da "Kermesse".
  
Notícia sobre o lançamento da pedra fundamental do "Aéreo Club", que aconteceria em 19 de abril, aniversário do presidente Getúlio Vargas. Na mesma página, o nascimento de Marlene, uma "robusta creança".
Acima, o "reclame" do Asmax, "para aqueles que sofrem de asma", mas útil também para o fígado, tosse e até para o coração.
Na última página, acima, lançamento do bairro Jardim dos Estados, "exclusivamente residencial" (o que deixou de ser há tempos), e vendas a cargo do corretor José Remígio Prezia.
  
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampiá-las.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

RÁDIO DIFUSORA

Cartão postal circulado em 12 de novembro de 1975, à venda no eBay. "Poços de Caldas é uma cidade maravilhosa", disse a remetente.
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
 

domingo, 23 de outubro de 2011

COUNTRY CLUB, 1939

Antigo cartão-postal, circulado em 17 de maio de 1939, diretamente "Da mais bela cidade termal do Brasil".
   
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

VISTA NOTURNA

Provavelmente dos anos 1950, a fotografia acima mostra Poços de Caldas à noite. O pequeno prédio de seis andares fica nas esquinas das ruas Assis Figueiredo e Barros Cobra. Compare-a com a imagem abaixo, do Google Earth. Ambas foram feitas da região da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

sábado, 15 de outubro de 2011

POLYTHEAMA, DÉCADA DE 1930

 
Duas imagens, ambas de autoria desconhecida, publicadas nos livros "Poços de Caldas - Memórias em Preto e Branco", de Décio Alves de Morais, mostram detalhes do antigo Cine Teatro Polytheama, provavelmente de matinês, considerando a fila de meninas uniformizadas na entrada do prédio e a plateia de crianças no interior.
  
A foto das pessoas aguardando na entrada é do acervo de Roberto Tereziano; a da plateia é do Acervo do Museu Histórico e Geográfico, data de 1938.
  
Saiba mais digitando a palavra Polytheama no campo de pesquisas, à esquerda.
  
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
  

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

PASSEIO VIRTUAL PELA HISTÓRIA DA CIDADE

O Google Earth já colocou no ar as imagens do Street View de Poços de Caldas. Trata-se de um fantástico trabalho que fotografa muitas cidades do mundo, com um sistema de câmeras que possibilita imagens de 360 graus.
  
Assim, a partir de agora, é possível fazer um passeio virtual, por exemplo, pela Praça Pedro Sanches, "girar a câmera" e em segundos estar na porta (fechada) da Prefeitura; correr até a Estação da Mogyana; contemplar o Edifício Bauxita; depois cruzar o Parque correndo, parar diante do Palace Casino ainda em obras, e muitos outros lugares.
  
Para acessar, é preciso ter o programa Google Earth instalado, baixando-o pelo Google. Após instalado, abra o programa, que mostrará o planeta. No campo superior esquerdo digite Poços de Caldas para pesquisar. Localize uma rua clicando com o mouse sobre ela. Do lado direito da tela há um "bonequinho" cor de laranja. Clique nele, arrastando-o até o ponto que quer observar do nível da rua. 
   
Agora, cá entre nós, deixando um pouco a seriedade de lado: dar essa notícia antes da Prefeitura... não tem preço! Minhas mais amistosas saudações ao Prefeito e ao Secretário de Comunicações.
  
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.